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TSE reconhece desfiliação de deputada Alessandra Haber do MDB após alegações de perseguição

Alessandra Haber (PA) afirmou ter sido alvo de 'retaliação política' pela direção do partido, comandada pela família Barbalho, após a saída de seu marido para o PSB.

Agência O Globo - 04/03/2026
TSE reconhece desfiliação de deputada Alessandra Haber do MDB após alegações de perseguição
TSE reconhece desfiliação de deputada Alessandra Haber do MDB após alegações de perseguição - Foto: Reprodução

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tomou conhecimento, nesta terça-feira, da legitimidade da desfiliação da deputada federal Alessandra Haber (PA) do MDB. A decisão da Corte acolheu a ação da parlamentar por "justa causa" , o que impediu que ela perdesse o mandato por ter deixado a sigla fora da janela de migração partidária. Nas redes sociais, Alessandra comemorou a decisão e afirmou ter sido perseguida pelo que classificou como “ditadura” imposta pela família do governador do Pará, Helder Barbalho, que comandou o partido no estado.

Deputada paraense mais votada, Alessandra alegou ter sido alvo de retaliação política dentro da legenda em razão da desfiliação de seu marido em 2024. O prefeito de Ananindeua (PA), Dr. Daniel Santos, migrou do MDB para o PSB para disputar a reeleição naquele ano e venceu o candidato do MDB, Antônio Doido, apoiado por Barbalho.

— A Justiça acompanhou a perseguição da "ditadura Barbalho". Há alguns meses, pedi a saída do partido por toda essa perseguição que estamos sofrendo. Fui coordenador de comissões e reuniões importantes e venci pela mãe do governador (Elcione Barbalho, também deputada federal pelo MDB) — afirmou Alessandra, em vídeo publicado nas redes sociais.

A deputada destacou que a decisão de deixar o partido foi motivada pelo desejo de exercer seu mandato “com plenitude” , mesmo diante das “adversidades” .

— O nosso estado é do nosso povo. E o nosso povo é soberano. Quem se acha dono do estado do Pará, vai cair — completou.

Entenda a

Na ação apresentada ao TSE, Alessandra alegou que passou a sofrer "reclamação diuturna à sua atividade parlamentar, com comprometimento efetivo do exercício normal das funções do mandato" , enviando restauração de reuniões e retirada de todas as comissões permanentes, como a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Ela também foi alvo de uma representação eleitoral do partido, que buscou suas reportagens por propaganda irregular nas eleições de Ananindeua.

A ministra Estela Aranha, relatora do caso, afirmou não haver provas de que comprovem tratamento diferenciado nas convocações para reuniões partidárias. Por outro lado, a magistrada declarou como “relevante” a exclusão de Alessandra da CCJC logo após a desfiliação de seu marido.

A relatora também ressaltou que houve "omissão deliberada" do MDB ao não realocar a deputada em outras comissões permanentes, mesmo após seus pedidos. Estela Aranha argumentou que o parlamentar que não integra nenhuma comissão "não pode relatar projetos, não vota em fases importantes do processo legislativo e perde o acesso real aos debates técnicos" .

Em sua defesa, o MDB sustentou que o distanciamento político ocorreu porque Alessandra decidiu apoiar, nas últimas eleições municipais, candidatos de outros partidos em detrimento dos nomes da própria legenda.

Procurado, o diretório do MDB no Pará não respondeu sobre a decisão. O espaço segue aberto para manifestações.