Poder e Governo
PF monitorou veículo do prefeito de Macapá com R$ 400 mil em espécie durante operação
Chefe do Executivo local e vice foram afastados do cargo por determinação de Flávio Dino, do STF
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que, ao solicitar o afastamento do prefeito de Macapá (AP), Antônio Paulo de Oliveira Furlan, e do vice-prefeito, Mário Neto (MDB), monitoraram um veículo do chefe do Executivo municipal que transportava uma mochila contendo R$ 400 mil em espécie . A medida foi autorizada pela Corte.
Na manhã desta quarta-feira, a PF deflagrou uma operação para apurar um suposto esquema de fraudes em licitações da Secretaria Municipal de Saúde de Macapá. Endereços relacionados aos gestores distantes também foram alvo de mandatos de busca e apreensão.
Em 23 de maio de 2025, agentes da PF acompanharam o dono de uma construtora que sacou R$ 400 mil em espécie em uma agência bancária. O dinheiro foi colocado em uma mochila preta. Após o saque, o veículo chegou até a residência do empresário, no centro da cidade, onde encontrou por cerca de dez minutos.
Na sequência, o veículo foi conduzido por um segundo indivíduo até outro imóvel, levando a mesma mochila. Posteriormente, a mochila foi repassada a uma terceira pessoa, que entrou em um Fiat Cronos branco estacionado nas proximidades.
“Feita a verificação do registro do veículo no banco de dados oficiais, obteve-se a informação de que o veículo está registrado em nome de ANTÔNIO PAULO DE OLIVEIRA FURLAN, atual prefeito do município de Macapá/AP”, destacou a PF.
Segundo as investigações, o grupo criminoso investigado fraudava licitações e desviava recursos públicos:
“A análise conjunta dos elementos coligidos aponta, em verdade, para a existência de um esquema de infração estruturado, composto por agentes públicos e empresários, direcionado ao direcionamento da licitação, desvio de recursos públicos e pagamento de propinas, com uso de mecanismos de dissimulação patrimonial, inclusive mediante entregas físicas de numerário e movimentações bancárias suspeitas, dependendo a seguir expor”, informou a PF.
Após a operação, Furlan se manifestou nas redes sociais dizendo ser vítima de ataques e anunciou sua pré-candidatura ao governo do estado:
— Tudo que a gente esperava está acontecendo. Ataques, perseguições, atrasos. Mas eles não estão indo contra o Furlan, estão indo contra a vontade do povo e da população de Macapá. Diante disso, quero reafirmar que sou pré-candidato ao governo do Amapá — declarou o prefeito afastado.
No decorrer das apurações, a PF também fez buscas na casa do motorista do prefeito e encontrou anotações sobre supostas operações bancárias totalizando R$ 3 milhões, em depósitos fracionados. Os principais beneficiários, segundo o pesquisador, seriam as empresas Instituto Medicina do Coração LTDA, de propriedade de Antônio Furlan, e RCFS Médicos LTDA, cuja responsável é Rayssa Furlan, esposa do prefeito.
Paroxismo
Intitulada "Operação Paroxismo", a segunda fase da ação policial cumpre mandatos expedidos pelo STF, que determina o afastamento dos servidores públicos investigados por 60 dias. Ao todo, 13 mandatos de busca e apreensão são cumpridos nas cidades de Macapá, Belém (PA) e Natal (RN).
De acordo com a PF, há fingidos de um "esquema criminoso" envolvendo agentes públicos, como Furlan e Mario Neto, e empresários, com o objetivo de direcionar licitações, desviar recursos públicos e lavar dinheiro em contratos de obras do Hospital Geral Municipal.
Na primeira fase da operação, deflagrada em setembro do ano passado, a polícia já havia apontado o pagamento das propinas. O contrato de obras do hospital, firmado em maio de 2024, foi de R$ 69,3 milhões.
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