Poder e Governo
Em almoço com MDB, Pacheco descarta filiação por respeito a pré-candidato em Minas
Senador afirmou a líderes da legenda que seguirá conversando com outros partidos, como o União Brasil, durante a janela antes de decidir troca de sigla e eventual candidatura em 2026
O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) informou aos dirigentes do MDB, durante almoço realizado nesta quarta-feira, que o partido não é, neste momento, uma opção para sua eventual filiação. O motivo é a existência da pré-candidatura do ex-vereador de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo , ao governo de Minas Gerais em 2026. O encontro, realizado na Asa Sul, em Brasília, contou com a presença do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi , do presidente estadual da legenda, deputado Newton Cardoso Jr. , e do próprio Azevedo.
Segundo relatos de interlocutores do parlamentar, Pacheco ressaltou que respeita a pré-candidatura de Gabriel Azevedo, a quem considera amigo pessoal, e ponderou que não faria sentido ingressar no MDB enquanto esse cenário estiver vigente. O senador também afirmou que ainda não decidiu se disputará ou não o governo mineiro.
De acordo com os participantes do encontro, Pacheco disse que pretende continuar dialogando com diferentes partidos nos próximos dias, aproveitando o período da janela partidária, antes de definir uma eventual mudança de sigla e seu futuro eleitoral.
O movimento ocorre em meio às articulações sobre uma possível saída do PSD e ao esforço de diferentes legendas para atrair o senador. Além do MDB, o União Brasil também aparece no radar de interlocutores envolvidos nas negociações.
A alternativa do União Brasil, porém, perdeu força nas últimas semanas devido a entraves internos da legenda em Minas Gerais, principalmente relacionados à federação com o PP e à presença do secretário de Governo de Romeu Zema (Novo), Marcelo Aro , como uma das principais lideranças do partido no estado.
Nesta semana, no entanto, ganhou força a possibilidade de Marcelo Aro deixar a União Brasil e migrar para o Podemos, outra sigla sob influência de seu grupo político em Minas. Caso isso se confirme, as portas do União Brasil se abririam para Pacheco.
As conversas sobre uma eventual migração partidária se intensificaram após o filiado do PSD ao vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões , aliado de Zema, movimento que destruiu o espaço político de Pacheco dentro da legenda no estado.
Nos bastidores, o senador adotou um discurso de cautela e evitou assumir compromissos eleitorais neste momento. Interlocutores afirmam que ele mantém as hipóteses de disputar o governo como instrumento de união política, enquanto reorganiza seu campo de alianças em Minas.
A postura de Pacheco contrasta com a avaliação do Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse aos aliados, em conversas reservadas, que Pacheco será seu candidato ao governo mineiro em 2026 e já trata o cenário como praticamente definido.
No último sábado, os dois ficaram juntos em Juiz de Fora. Na ocasião, Pacheco ponderou que, caso decidisse ser candidato, não poderia estar em um partido alinhado nacionalmente a Flávio Bolsonaro (PL). Por isso, solicite a ajuda de Lula para evitar esse cenário no União Brasil.
No entorno do Senado, a avaliação é de que o tabuleiro político em Minas ainda está "em construção". A estratégia, segundo aliados, é manter abertas as possibilidades de alianças e de filiação partidária enquanto o cenário eleitoral se reorganiza nos próximos meses.
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