Poder e Governo
STJ analisa pedido para intimar Moraes em ação movida pelo Rumble nos EUA
Ministros vão decidir se autorizam citação formal do magistrado brasileiro em processo que tramita na Justiça americana
A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve analisar nesta quarta-feira o pedido de cumprimento de uma carta rogatória enviada pela Justiça dos Estados Unidos para intimar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em um processo movido pelas empresas Rumble e Trump Media. A relatoria do caso está sob responsabilidade do presidente do STJ, ministro Herman Benjamin.
Cartas rogatórias são instrumentos de cooperação jurídica internacional utilizados quando tribunais de um país solicitam que a Justiça de outro país pratique atos processuais, como a citação de uma pessoa. No Brasil, cabe ao STJ autorizar esse tipo de pedido, sem analisar o mérito da ação estrangeira, apenas verificando a compatibilidade com a legislação nacional e a preservação da soberania.
A solicitação foi encaminhada ao STJ após a Justiça Federal da Flórida pedir cooperação do Judiciário brasileiro para que Moraes seja formalmente citado na ação. O processo tramita sob sigilo e envolve uma disputa judicial aberta pelas empresas americanas contra decisões do ministro relacionadas à plataforma de vídeos Rumble.
Nos Estados Unidos, a ação questiona ordens emitidas por Moraes determinando o bloqueio de contas na plataforma e a entrega de dados de usuários. As empresas alegam que as decisões tiveram efeitos sobre cidadãos e companhias sediadas nos EUA e que teriam sido expedidas sem observância dos mecanismos previstos em tratados internacionais de cooperação jurídica entre os dois países.
O pedido chegou ao STJ em agosto do ano passado e foi autuado sob sigilo. Pela legislação processual, cabe ao tribunal brasileiro decidir se concede o chamado "exequatur", autorização necessária para que a citação seja cumprida no país. Caso o aval seja negado, o ministro não será formalmente citado no processo que tramita nos Estados Unidos.
O conflito judicial tem origem em decisões de Moraes que determinaram medidas contra contas ligadas a investigados por disseminação de desinformação e ataques ao Supremo. As empresas Rumble e Trump Media contestam essas determinações e buscam na Justiça americana uma declaração de que as ordens seriam inaplicáveis em território dos Estados Unidos.
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