Poder e Governo
Haddad diz estar atento aos riscos eleitorais, mas evita confirmar candidatura em SP
Ministro da Fazenda ministra aula magna para calouros da Faculdade de Economia da USP
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta segunda-feira (2) que mantém "preocupações" e está "atento aos riscos" nas eleições deste ano, mas novamente evitou confirmar uma possível candidatura ao governo de São Paulo. A hipótese é defendida por lideranças do PT como estratégia para fortalecer a campanha do presidente Lula no maior colégio eleitoral do país.
— Até hoje temos tido muita conversa, e boa conversa, mas nós vamos tomar uma decisão um pouquinho mais para frente — declarou Haddad, destacando a necessidade de uma reunião entre ele, Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Haddad esteve em São Paulo para ministrar uma aula magna aos calouros da Faculdade de Economia da USP. O ministro confirmou que acompanhará Lula em agendas no estado nesta terça-feira (3), mas desconversou sobre uma definição eleitoral. Ele afirmou que, por ora, tratará apenas de assuntos do Ministério da Fazenda, do qual deve se afastar até o início de abril, conforme as regras eleitorais.
— Digo sempre o seguinte: estou analisando os cenários, o quadro. Evidentemente que tenho as minhas preocupações com o país onde moro, e nós estamos sempre atentos aos riscos e às possibilidades — ponderou Haddad.
A declaração desta segunda-feira foi mais amena do que em ocasiões anteriores, quando Haddad descartou disputar cargos eletivos. Ex-prefeito de São Paulo, ele perdeu a reeleição para João Doria em 2016, foi derrotado por Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2018 e por Tarcísio de Freitas (Republicanos) no pleito estadual de 2022. Apesar disso, petistas consideram seu desempenho fundamental para a vitória de Lula na última eleição nacional.
— Manifestei desde o começo do ano que não tinha intenção de participar, o presidente tem desenhado os cenários em que minha participação seria necessária e eu, evidentemente, sendo um amigo de tantos anos, não posso prescindir da opinião dele sobre isso. Eu estou analisando, ele também, e vamos chegar a um denominador comum.
O ministro demonstrou otimismo quanto à tentativa de reeleição de Lula e minimizou pesquisas que apontam Flávio Bolsonaro (PL), senador pelo Rio de Janeiro, como principal opositor. Segundo Haddad, o governo "tem muito a mostrar" e exibe indicadores econômicos superiores aos do governo anterior.
— Não conversei com ninguém sobre pesquisa, até porque considero muito prematuro analisar pesquisa a essa altura do campeonato. Acho que as pesquisas vão se tornar mais palpáveis quando os brasileiros estiverem focados no futuro do país, o que deve ocorrer a partir de abril ou maio — avaliou. — Temos muita chance, pelo presidente ser o incumbente, ter muito a mostrar, por ser incomparável o governo dele com o anterior. Em nenhum aspecto o presidente Lula perde em indicadores, crescimento, emprego, programas sociais. Acredito que o presidente fará uma grande campanha e logrará êxito, com certeza vai para o quarto mandato.
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