Poder e Governo
Aliada de Lula, Marília Arraes confirma filiação ao PDT para disputar Senado em Pernambuco
Movimentação ocorre em meio à disputa na esquerda pela composição da chapa apoiada por Lula no estado
A ex-deputada federal Marília Arraes comunicou à presidência nacional do Solidariedade, na última sexta-feira, sua saída da sigla para disputar o Senado por Pernambuco pelo PDT. Sua filiação ao novo partido está marcada para 12 de março. Líder nas pesquisas, Marília declarou que sua candidatura ao Senado “não tem volta”.
— Hoje assumo a responsabilidade. Não tem volta atrás. Eu não tenho direito de fazer isso com mais de 40% da população que quer que a gente esteja no Senado — afirmou o ex-deputado, referindo-se ao resultado mais recente da pesquisa Datafolha.
Nas redes sociais, Marília também reiterou seu apoio ao presidente Lula e ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), que é pré-candidato ao governo estadual.
A composição da chapa petista em Pernambuco opõe um ex-deputado ao ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), e as lideranças do Centrão no estado, como Miguel Coelho (União Brasil) e Eduardo da Fonte (PP). Até ao momento, a única definição no diretório estadual do PT é a candidatura à reeleição do senador Humberto Costa (PT), enquanto a escolha do nome para a segunda vaga segue em negociação.
Aliados de Marília avaliam que sua liderança nas pesquisas torna praticamente “insustentável” uma chapa lulista sem sua presença, considerando seu histórico como ex-petista.
Nos bastidores, há o entendimento de que o caminho natural é Lula apoiar João Campos ao governo e, consequentemente, negociar a segunda vaga da chapa com o aliado. Petistas admitem, porém, que conversas com o PSD nacional sobre eventual apoio à reeleição de Lula podem embaraçar o cenário eleitoral em Pernambuco. A atual governadora, Raquel Lyra, filiou-se ao PSD em 2023, levando uma ala do PT a defender a existência de um palanque duplo para Lula no estado.
Pesquisa impulsiona Marília
A primeira pesquisa do Datafolha em Pernambuco, divulgada em fevereiro, dificultou as articulações de Campos com a direita. Os números indicam Marília na liderança em todos os planos testados, oscilando entre 36% e 41% das intenções de voto. Alinhada à esquerda desde a juventude, ela aparece à frente até o mesmo senador Humberto Costa, que registra entre 24% e 26%.
Política rival de Raquel Lyra, Marília deixou o PT em 2022 após disputas internas. Anunciou a pré-candidatura ao Senado em outubro do ano passado, em evento com a presença de João Campos, seu primo. Para aliados do prefeito, a permanência de Marília em um partido com menor capilaridade poderia dificultar as negociações. Por isso, políticos locais especularam que ela poderia lançar uma candidatura “avulsa”, possivelmente descartada pelo próprio ex-petista.
— Eu e João disputamos projetos antagônicos durante muito tempo e convergimos quando houve a necessidade de combater o bolsonarismo. Nos apoiamos nas eleições de 2022 e 2024. Sou a única mulher cotada para compor a chapa dele, que vai disputar contra um governadora e um vice, e estou liderando todas as pesquisas. Qual é a razão, então, para que eu ou qualquer pessoa pense que eu vou ser uma candidatura avulsa? — disse Marília ao GLOBO no mês passado.
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