Poder e Governo
Flávio Bolsonaro adota combate ao feminicídio como bandeira eleitoral para reduzir rejeição
Pré-candidato à Presidência sinaliza que irá incorporar pauta também defendida por Lula (PT)
Durante manifestação na Avenida Paulista, neste domingo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dedicou parte de seu discurso ao aumento dos casos de feminicídio no Brasil. Pré-candidato à Presidência, Flávio defendeu a necessidade de uma “defesa intransigente das mulheres”. O tema também é uma das principais pautas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provável adversário nas eleições.
Ato na Paulista
No trio elétrico, Flávio afirmou que as mulheres foram "protegidas" durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, citando a aprovação de leis voltadas à proteção feminina e destacando as ações da senadora Damares Alves (Republicanos), ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
— Sou casado, pai de duas meninas, que são a razão do meu viver. Imagino a dor das famílias que têm uma mulher agredida ou assassinada por um covarde. Não vamos mais tolerar isso no país. As mulheres serão verdadeiramente abraçadas e protegidas, sem hipocrisia — declarou o senador.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o eleitorado feminino representa 52,5% do total. Pesquisa Genial/Quaest aponta que a aprovação do governo Lula entre as mulheres é de 48%, contra 44% de desaprovação — melhora em relação a janeiro, quando a rejeição era de 47%. Entre os homens, o cenário se inverte: 53% desaprovam e 43% aprovam.
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que, em 2025, foram registrados 1.470 casos de feminicídio. Desde 2015, quando o crime foi tipificado, houve aumento anual, totalizando crescimento de 316%. Em resposta, Lula lançou, no mês passado, o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, com ações coordenadas entre os três Poderes.
Preferência bolsonarista por Flávio
Levantamento do Monitor do Debate Político, do Cebrap, em parceria com a ONG More in Common, indica que 74% dos manifestantes na Avenida Paulista citaram Flávio como principal nome do bolsonarismo. O dado contrasta com pesquisas anteriores, que apontavam Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, como favorito para substituir Jair Bolsonaro em 2026. No ato, o público era majoritariamente masculino (62%).
Duas semanas após ser anunciado como escolhido de Bolsonaro, em dezembro passado, pesquisa Genial/Quaest mostrou que 54% dos eleitores consideravam a indicação de Flávio equivocada, enquanto 36% aprovavam. Em fevereiro, nova pesquisa revelou que 44% dos eleitores passaram a apoiar a escolha, superando, pela primeira vez, os 42% que discordavam.
Segurança pública como desafio da esquerda
A segurança pública é tradicionalmente um tema sensível para a esquerda e deve ser central nas eleições deste ano, já que a violência lidera as preocupações do eleitorado. A oposição pretende explorar o tema para desgastar a imagem de Lula, destacando falas consideradas controversas do presidente sobre o assunto e, especialmente, sobre a proteção das mulheres. Em julho de 2024, durante reunião no Palácio do Planalto, Lula chamou de "inacreditável" o aumento da violência após jogos de futebol e, em tom de brincadeira, afirmou: "se o cara for corinthiano, tudo bem".
Por outro lado, governistas defendem que o enfrentamento à violência contra a mulher é uma bandeira histórica da esquerda. Argumentam que Lula sempre deu atenção ao tema, destacando políticas públicas implementadas nos últimos três anos e a recorrência do assunto em seus discursos.
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