Poder e Governo

Em manifestação na Paulista, mais de 90% disseram apoiar impeachment de Moraes e Toffoli

Pesquisa do Monitor do Debate Político, realizada por Cebrap e USP em parceria com a More in Common, também mostrou que 74% preferem Flávio Bolsonaro como candidato da direita à Presidência

Agência O Globo - 02/03/2026
Em manifestação na Paulista, mais de 90% disseram apoiar impeachment de Moraes e Toffoli
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Mais de 90% dos manifestantes que compareceram , apoiam o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em relação a Toffoli, criticado por sua atuação nas investigações que envolvem o caso do Banco Master, o índice é de 93%. Já para Moraes, principal alvo bolsonarista dos últimos anos, o percentual alcança 95%, segundo levantamento do Monitor do Debate Político, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) — coordenado por Pablo Ortellado e Márcio Moretto, da Universidade de São Paulo (USP)—, em parceria com a ONG More in Common.

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Sobre Toffoli, 93% dos entrevistados responderam ser "completamente a favor" do impeachment do magistrado. Já 4% alegaram ser "parcialmente" favoráveis, enquanto 2% não souberam responder e 2% afirmaram ser "completamente contra".

Em relação a Moraes, o índice dos que se declararam "completamente a favor" sobe para 95%, além de 2% que se definiram parcialmente favoráveis. Outros 2% afirmaram ser "completamente contra", 1% não soube responder e 1% declarou ser contrário de forma parcial.

Para obter as informações, a pesquisa realizou 704 entrevistas entre 13h e 17h em toda extensão da Paulista ocupada pelos manifestantes, com distribuição em diferentes pontos da avenida e também em horários distintos.

Intitulado "Acorda Brasil", o ato foi convocado nacionalmente pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) para protestar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros Moraes e Toffoli, com manifestações realizadas em pelo menos 20 capitais, além do Distrito Federal. Quando convocou o protesto pelas redes sociais, o deputado abordou que o tema ficaria restrito a "Fora, Lula, Moraes e Toffoli", o que desagradou a ala bolsonarista que defende moderação para eleger Flávio e fez os organizadores também incluírem pedidos de anistia.

Público 'muito de direita'

O levantamento também perguntou sobre a disputa pelo Palácio do Planalto. A maioria dos manifestantes (74%) que compareceram aoato disseram preferir que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja o candidato da direita à Presidência da República.

Dentre o público presente, a maioria homens (62%), 77% se definiu como sendo "muito de direita". A maioria dos bolsonaristas também declarou ser muito conservador em relação a família e sexualidade (67%), além de metade se considerar católicos (49%).

Em relação ao nome preferido para a disputa pelo Planalto, 10% citaram o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que não esteve presente na manifestação pois viajou para a Alemanha para cumprir agendas na área de tecnologia. Outros 4% citaram a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, enquanto 9% mencionaram "outros nomes", 3% disseram não ter preferência e 1% alegou ainda não saber.

O ato bolsonarista realizado na Avenida Paulista, conforme estimativa também realizada pelo Monitor do Debate Político. Dentre as manifestações já contabilizadas pelo grupo de pesquisa no mesmo local, esta contou com o segundo pior público, posto anteriormente ocupado por um ato realizado em agosto de 2025 (37,6 mil pessoas).

Considerando a margem de erro de 12%, que representa uma diferença de 2,4 mil pessoas para mais ou para menos, o ato pode ter recebido entre 18 mil e 22,9 mil participantes no seu horário de pico, às 15h53.

A contagem feita pelo grupo de pesquisa ocorreu a partir de cinco fotos aéreas, tiradas em horários distintos e analisadas com software de inteligência artificial. No cálculo, é usado o método Point to Point Network (P2PNet), em que um drone tira fotos aéreas e o software analisa as imagens para identificar e marcar automaticamente as cabeças das pessoas, processo que possui precisão de 72,9% e uma acurácia de 69,5% na identificação de cada indivíduo.

Outro ato realizado neste domingo, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro,. Foi o menor protesto bolsonarista no Rio já registrada pelo estudo, superando o recorde anterior de 18,3 mil manifestantes em um ato realizado março do ano passado.

Participação de Flávio Bolsonaro

O protesto deste domingo foi o primeiro ato bolsonarista na Paulista desde que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi definido pré-candidato à presidência da República com o aval do pai. Além dele, também estiveram presentes nomes como o pastor Silas Malafaia, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Romeu Zema, de Minas Gerais. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não compareceu pois viajou para a Alemanha para cumprir agendas na área de tecnologia.

Último a falar do alto do caminhão de som, Flávio Bolsonaro pediu a derrubada do voto do PL da Dosimetria, fez fortes críticas a Lula e falou do STF de maneira genérica, sem nomear ministros.

— Todos nós somos favoráveis ao impeachment de qualquer ministro do STF que descumpra a lei. Isso só não acontece hoje porque ainda não temos a maioria no Senado, mas o povo brasileiro vai ter a oportunidade, nesse ano, de escolher candidatos que se comprometam com o resgate da nossa democracia. O nosso alvo nunca foi o Supremo, nos sempre dissemos que o Supremo é fundamental para a democracia. Mas estão destruindo a democracia, a pretexto de defendê-la, para atingir Jair Bolsonaro – discursou o senador.

Últimas manifestações bolsonaristas em São Paulo*

1° de março de 2026: 20,4 mil pessoas.

7 de setembro de 2025: 42,2 mil pessoas.

3 de agosto de 2025: 37,6 mil pessoas.

29 de junho de 2025: 12,4 mil pessoas.

6 de abril de 2025: 44,9 mil pessoas.

7 de setembro de 2024: 45,9 mil pessoas.

*Todos os dados foram levantados com a mesma metodologia pelo grupo Monitor do Debate Político, da Cebrap/USP, em parceria com a More in Common.