Poder e Governo
PF investiga se ex-senador Fernando Bezerra e familiares usaram posto de gasolina e concessionária para receber verba de emendas
Repasses indicados por ex-parlamentar e filho deputado circularam por empresas ligadas a parentes, aponta inquérito; defesa afirma que verbas foram destinadas com 'lisura'
A Polícia Federal investiga se o ex-senador Fernando Bezerra Coelho e o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) usaram um posto de gasolina e uma concessionária de carros para receber dinheiro de um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares. As informações constam em decisão proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que expediu mandados de busca e apreensão contra os dois políticos nesta quarta-feira.
Em nota, o advogado André Callegari, que representa Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho, afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos da investigação, mas "esclarece que todos os recursos provenientes de emendas parlamentares foram corretamente destinados, tendo sido observada a lisura do procedimento".
"A defesa confia que os órgãos beneficiados observaram rigorosamente as melhores práticas de governança e execução dos recursos recebidos. Todos os fatos serão devidamente esclarecidos e, ao final, ficará demonstrado que não há qualquer conduta ilícita praticada pelos investigados", diz o texto.
De acordo com a PF, Bezerra e o filho direcionaram emendas parlamentares que abasteceram contratos firmados por uma empresa ligada a seus familiares, a Liga Engenharia. Os repasses eram enviados a Petrolina, cidade então comandada por Miguel Coelho, filho de Bezerra, a partir de convênios firmados entre a prefeitura e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) — a estatal era comandada na região por um indicado da família.
A Liga Engenharia, por sua vez, efetuou pagamentos ao Posto Petrolina, que pertence à família da mulher de Miguel Coelho, ex-prefeito da cidade. Segundo os investigadores, a partir da análise de extratos bancários, os valores pagos pelo município à Liga Engenharia "mais do que dobraram de maio de 2018 para junho de 2018, mesmo período em que os valores pagos pela Liga ao posto triplicaram".
A PF viu nessa movimentação uma estratégia de fazer o dinheiro das emendas voltar a pessoas ligadas aos parlamentares.
"Não há como se descartar a hipótese de que tal dinâmica esteja sendo empregada para a restituição de recursos públicos em favor da família que foi a responsável pela disponibilização dos recursos em primeiro lugar", diz a representação.
A empresa responsável pelo posto e a Liga Engenharia não se manifestaram.
A defesa dos Coelho ressaltou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra os mandados pedidos pela PF, que acabaram sendo deferidos por Dino, e que "alguns fatos" destacados pela Polícia Federal já foram arquivados em outro inquérito que tramitou no Supremo.
"Elevadas movimentações"
Investigadores sustentam que fatos novos vieram à tona a partir de quebras de sigilo e outros materiais colhidos na investigação. Na representação, a PF diz que identificou por meio de relatórios de inteligência financeira "elevadas movimentações de dinheiro em espécie" da concessionária Bari Automóveis. Segundo os investigadores, a empresa tem como um dos sócios um tio do ex-senador, mas há "fortes indícios" de que Bezerra e o filho sejam "os verdadeiros donos" da empresa.
Entre as provas levantadas pela PF, estão balanços contábeis e documentos de tributos da empresa encontrados no HD de uma secretária do ex-senador e em e-mails enviados a ele . Os investigadores também descobriram um grupo de WhatsApp chamado "Jeep", onde eles discutiam sobre as vendas e decisões administrativas da empresa, como a demissão de funcionários.
De acordo com as investigações, a concessionária foi utilizada para receber valores pagos por terceiros "com destino a Fernando Bezerra Coelho". "A Bari tem por hábito realizar vultosas operações financeiras em espécie, muitas delas em valores fracionados, além de direcionar repasses a pessoas físicas destituídas de renda compatível, todos indicativos da tentativa de ocultar a origem e o destino do patrimônio", diz o texto.
Em nota, a concessionária afirmou que Bezerra e seus filhos nunca foram sócios, formais ou ocultos, nem tampouco detêm qualquer poder ou ingerência sobre a referida empresa". "Não há, portanto, qualquer elemento que permita inferir qualquer conduta ilícita da empresa e de seus sócios", completa o texto.
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