Poder e Governo

Datena e Marçal encerram processos após acordo sobre agressão em debate

Apresentador e empresário disputavam a Prefeitura de São Paulo em 2024; detalhes do acordo permanecem sob sigilo

Agência O Globo - 01/03/2026
Datena e Marçal encerram processos após acordo sobre agressão em debate
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Justiça homologou um acordo entre o apresentador José Luiz Datena e o empresário Pablo Marçal, encerrando os processos relacionados à agressão ocorrida durante um debate na campanha eleitoral de 2024, quando ambos eram candidatos à Prefeitura de São Paulo.

A decisão foi formalizada neste sábado (28) pelo desembargador Eduardo Francisco Marcondes, da 10ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Os termos do acordo permanecem em sigilo.

Em uma das ações, Pablo Marçal solicitava indenização de R$ 100 mil por danos morais, alegando que a agressão teria violado seus “direitos de personalidade, atingindo sua honra, imagem e integridade física e moral”. O caso ainda aguardava julgamento.

No processo movido por Datena, o apresentador pedia indenização por danos morais, afirmando que Marçal teria sugerido que ele seria um estuprador ao chamá-lo de “Jack”. O valor solicitado também era de R$ 100 mil. A Justiça havia negado o pedido em primeira instância, em maio de 2025, e Datena recorreu ao TJ-SP. Nesta semana, ambas as partes informaram à Justiça que chegaram a um acordo, resultando no arquivamento de todos os processos relacionados ao episódio.

Relembre o caso

A agressão ocorreu após Marçal provocar Datena sobre uma acusação de assédio sexual, mencionada já no início do debate.

Durante a discussão, Datena chamou Marçal de "bandidinho, ladrãozinho de dados" e afirmou que a acusação "custou muito" para ele e sua família. Marçal retrucou dizendo: "O Brasil quer saber que horas você vai parar" e chamou o apresentador de "arregão".

— Você atravessou o debate esses dias para me dar um tapa, você não é homem nem para fazer isso — afirmou Marçal, momento em que foi atingido por Datena.

Após o incidente, o programa foi interrompido e Marçal foi levado ao Hospital Sírio Libanês. Na ocasião, o então candidato do PRTB declarou ter sido "covardemente agredido por José Luiz Datena" e relatou fraturas na mão.

Na mesma noite, Marçal iniciou o debate acusando Datena de assédio sexual contra uma funcionária da Band.

— Os playboys da cidade de São Paulo não sabem o que eu vou falar agora, mas quem é da quebrada sabe. "Homem é homem, mulher é mulher, estuprador é diferente" — disse, citando uma música dos Racionais MC's. — Tem alguém aqui que é "jack" (gíria para estuprador). É alguém que responde por assédio sexual. Essa pessoa dá pena — afirmou, referindo-se ao apelido "Dapena" para o apresentador.

O caso citado envolvia denúncia da repórter Bruna Drews, feita em janeiro de 2019. Datena processou a jornalista por calúnia e difamação. Nove meses após a acusação, ela assinou uma retratação em cartório, em São Bernardo do Campo.

Em representação ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Bruna alegou que Datena teria feito comentários inapropriados sobre sua aparência e orientação sexual. Em entrevista ao portal Universa, em outubro de 2019, afirmou ter sido "induzida pelos advogados de Datena" a assinar a retratação. Datena, por sua vez, declarou durante o debate que o caso foi arquivado pelo Ministério Público.

— Foi uma acusação que a Polícia não encontrou provas, nem investigou, o MP arquivou o processo, a pessoa que me acusou se retratou em cartório, pediu desculpas para mim e para minha família. Foi um desgaste grande, ser acusado de um crime desses é terrível, e o Pablo Marçal continua sendo ladrãozinho de banco devidamente acusado e condenado — declarou Datena na ocasião.