Poder e Governo
Bolsonaro pede que Michelle só entre na política após março de 2026 e defende união da direita
Em carta manuscrita, ex-presidente sai em defesa da ex-primeira-dama e critica ataques internos
O ex-presidente Jair Bolsonaro divulgou neste domingo uma carta manuscrita em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. No documento, Bolsonaro afirma ter pedido à esposa que só se envolva em articulações políticas após março de 2026.
O texto, tornado público por aliados, também traz críticas a ataques vindos de setores da própria direita e faz um apelo pela unidade entre os aliados. “Dirijo-me a todos que comungam conosco dos mesmos valores — Deus, pátria, família e liberdade — para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa”, escreveu Bolsonaro. A declaração ocorre em meio a disputas internas no campo conservador sobre estratégias eleitorais e ocupação de espaços políticos, especialmente vagas ao Senado.
Na carta, o ex-presidente justifica que Michelle estaria “por demais ocupada no atendimento da nossa filha Laura, recém-operada, bem como nos cuidados à minha pessoa”. Ao citar motivos familiares e de saúde, Bolsonaro insere um elemento pessoal no debate político.
Sobre o cenário eleitoral, Bolsonaro destaca: “Numa campanha majoritária, bem como nas cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados”. O posicionamento sugere incômodo com críticas públicas dentro do próprio campo político e defende uma estratégia baseada no diálogo interno.
Michelle Bolsonaro tem sido mencionada por aliados como possível candidata ao Senado pelo Distrito Federal em 2026, possibilidade que ganhou força após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. No PL e no campo conservador, a definição das candidaturas ao Senado é estratégica e envolve disputas por espaço político e capital eleitoral.
O texto encerra com um agradecimento “pelo carinho e consideração” e a frase: “Da nossa união o futuro do Brasil”.
Ao reforçar a ideia de coesão, Bolsonaro busca reposicionar o debate interno da direita em um momento de rearranjos e disputas antecipadas para 2026, enquanto preserva a imagem de Michelle como figura distante das tensões partidárias imediatas.
A manifestação ocorre em meio a intensa especulação sobre a sucessão presidencial na direita brasileira, a pouco mais de seis meses das eleições gerais de outubro de 2026. Com a condenação e prisão de Bolsonaro impedindo sua participação, Michelle tem sido tema de debate público e midiático como possível figura de destaque, tanto no PL quanto no campo conservador.
Analistas ressaltam que a ex-primeira-dama consolidou, nos últimos meses, perfil de liderança entre setores como o eleitorado evangélico e feminino, sendo cogitada em pesquisas e cenários eleitorais, embora nem sempre com entusiasmo unânime dentro do próprio PL.
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