Poder e Governo
Ataque dos EUA e Israel ao Irã vira nova frente de embate entre governo e oposição
Nota do Itamaraty motivou troca de criticas entre Flávio e Gleisi
O ataque feito por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que reagiu com mísseis e drones contra território israelense e bases americanas em outros países da região, virou mais um elemento de disputa política entre os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e bolsonaristas.
Em nota divulgada neste sábado, o Itamaraty classificou a ofensiva dos EUA e Israel como fator de agravamento da instabilidade no Oriente Médio e de risco à paz regional.
"Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região", diz a nota.
Em antecipação da disputa eleitoral, a posição do Ministério de Relações Exteriores provocou uma reação imediata do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deve ser o principal adversário de Lula na eleição presidencial.
“O posicionamento do governo Lula diante das ações do regime iraniano é inaceitável. Ao adotar uma postura de apoio político a Teerã neste momento, o Brasil se coloca do lado errado de um conflito grave e ignora a natureza objetiva do regime que está defendendo”.
Da mesma forma, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou a nota divulgada pelo governo.
“Somente o Lula mesmo para apoiar este regime sanguinário do Irã. Na imagens abaixo um drone bomba vai contra o maior arranha-céu do mundo, o Burj Khalifa. Por quê? Para que? O Irã ataca civis inocentes, mostrando sua imoralidade e crueldade”, declarou.
Por sua vez, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, se manifestou com críticas a Flávio:
“Flavio Bolsonaro não aprendeu nada com o repúdio nacional à traição de sua família ao Brasil. Segue pregando subserviência a Trump, mesmo quando ele viola leis internacionais e faz um ataque que ameaça a paz no mundo”, disse.
A bancada do PT na Câmara também se manifestou sobre o conflito:
“Trata-se de ação que agrava tensões já elevadas no Oriente Médio e enfraquece o sistema de segurança coletiva, abrindo precedente perigoso para a normalização do uso unilateral da força nas relações entre Estados”, consta na nota .
As embaixadas do Brasil na região acompanham os desdobramentos das ações militares, com particular atenção às necessidades das comunidades brasileiras nos países afetados. A recomendação do Ministério das Relações Exteriores é para que os brasileiros estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países onde morem ou se encontrem.
A ação militar, anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, foi descrita por Washington como uma operação de grande envergadura destinada a atingir as Forças Armadas iranianas, o programa nuclear do país e estruturas estratégicas do regime. Batizada de “Operação Fúria Épica”, a ofensiva contou também com a participação de Israel, que afirmou ter bombardeado alvos militares no oeste iraniano.
Explosões foram registradas em diversas cidades, incluindo Teerã, Tabriz, Kermanshah e Isfahã, onde está localizada uma das principais instalações nucleares do país. Na capital iraniana, um dos alvos atingidos foi o gabinete do presidente Masoud Pezeshkian, que não teria se ferido. Relatos indicam ainda explosões nas proximidades da residência oficial do aiatolá Ali Khamenei. Fontes iranianas afirmaram que comandantes militares e integrantes do governo morreram nos ataques.
No pronunciamento em que anunciou a operação, Trump afirmou que o Irã “nunca poderá ter uma arma nuclear” e declarou que os Estados Unidos pretendem eliminar capacidades militares estratégicas do país. O presidente americano disse ter oferecido “imunidade total” a militares iranianos que se rendessem e advertiu que os que resistirem enfrentariam “a morte certa”.
O Irã classificou a ofensiva como uma violação de sua soberania e da Carta das Nações Unidas e confirmou o início de retaliações. A Guarda Revolucionária disparou mísseis e drones contra Israel e contra bases militares americanas em países da região, com registros de impactos na Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
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