Poder e Governo
Flávio Bolsonaro defende mandato único e inicia articulações para 2026
Senador apresenta PEC pelo fim da reeleição e busca ampliar diálogo com partidos de centro e direita
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quarta-feira (12) que, caso seja eleito presidente da República em 2026, cumprirá apenas um mandato. A declaração foi feita durante coletiva após reunião com a bancada do PL, em movimento estratégico para ampliar o diálogo com partidos de centro e direita e reduzir resistências à sua eventual candidatura.
Após o encontro, Flávio anunciou a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da reeleição para cargos do Executivo. O texto ainda está em fase de coleta de assinaturas para ser protocolado formalmente no Senado.
— Vim pedir ajuda para todo mundo levar as nossas bandeiras. Apresentei uma PEC para confirmar aquilo que eu já tinha dito: o presidente da República só deve ser presidente por um mandato — declarou o senador.
Pela proposta, o presidente da República passaria a ficar inelegível para o mesmo cargo no mandato subsequente, retornando ao modelo anterior à emenda constitucional de 1997, que instituiu a reeleição no país. Na justificativa, Flávio argumenta que o atual sistema cria um “estado permanente de eleição”, incentivando governantes a subordinar decisões administrativas à lógica eleitoral e enfraquecendo o princípio da alternância de poder.
A defesa do mandato único tem sido utilizada por aliados como argumento político nas conversas iniciais com outras siglas, num momento em que o PL busca ampliar alianças para além do núcleo bolsonarista mais fiel.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Flávio iniciará agora uma rodada mais ampla de negociações partidárias. Segundo ele, o senador já manteve conversas com PP e União Brasil, mas ainda precisa avançar com outras legendas.
— Ele vai ter que conversar com todos. Já falou com PP e União, mas precisamos trazer mais gente, gente de centro para a direita — declarou Valdemar, citando também a necessidade de diálogo com o Republicanos.
A declaração ocorreu após uma série de reuniões internas do partido, incluindo um encontro reservado com lideranças do PL em Santa Catarina para definir o cenário eleitoral no estado em 2026.
Estiveram presentes o governador Jorginho Mello (PL), a deputada federal Carol De Toni (PL-SC), o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o próprio Valdemar. Ao final do encontro, o grupo anunciou a definição das duas pré-candidaturas bolsonaristas ao Senado por Santa Catarina: Carol De Toni e Carlos Bolsonaro.
— Com várias lideranças, incluindo a Michelle, tomamos a decisão em Santa Catarina. Carol De Toni e Carlos Bolsonaro serão candidatos ao Senado — afirmou Flávio.
A definição encerra semanas de tensão interna no PL catarinense. Inicialmente, o grupo político de Jorginho defendia a manutenção da candidatura à reeleição do senador Esperidião Amin (PP), dentro do acordo local com a federação União Brasil-PP, que condicionava apoio ao governo estadual à preservação da vaga.
O cenário mudou após pressão direta do núcleo bolsonarista e da própria Carol De Toni, que chegou a ameaçar deixar o partido diante da indefinição sobre sua candidatura. A deputada buscava uma manifestação direta do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a disputa.
Segundo aliados, Bolsonaro confirmou, ainda preso na Papuda, que De Toni era sua candidata ao Senado em Santa Catarina, decisão que consolidou a mudança de rumo do PL no estado e abriu espaço para a inclusão de Carlos Bolsonaro na chapa.
O governador Jorginho Mello afirmou que a composição está definida e que o próximo passo será ampliar alianças.
— A chapa está montada. Agora vamos fazer composição com outros partidos — declarou.
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