Poder e Governo

Em meio à definição de candidaturas nos estados, PSOL decidirá sobre federação com o PT no início de março

Proposta foi apresentada pela sigla do presidente Lula, que busca manter o PSOL próximo durante as eleições deste ano

Agência O Globo - 25/02/2026
Em meio à definição de candidaturas nos estados, PSOL decidirá sobre federação com o PT no início de março
Paula Coradi, presidente nacional do PSOL - Foto: Reprodução / Instagram

À medida que avança a definição de candidaturas e a articulação das chapas estaduais, o PSOL marcou para o dia 7 de março a deliberação sobre a proposta de formação de uma federação com o PT. O anúncio foi feito pela presidente nacional da legenda, Paula Coradi, durante reunião com dirigentes do partido nesta quarta-feira. A proposta, formalizada pelos petistas no fim do ano passado, tem gerado debates e dividido opiniões entre os filiados do PSOL.

Discussão interna

“O debate sobre a federação é legítimo e tem sido feito no partido. Internamente, ele será deliberado na reunião do nosso diretório nacional, em 7 de março”, afirmou Paula Coradi. “Independentemente de composição em uma nova federação, é importante ressaltar que o PSOL esteve, neste terceiro mandato, ao lado do presidente em pautas relevantes para o povo brasileiro e se posicionou na linha de frente no combate à extrema-direita, tanto nas ruas quanto na Câmara dos Deputados, além de ter dois ministérios no governo. E esses compromissos estão mantidos para 2026.”

Atualmente, o PSOL já integra uma federação com a Rede, mas possui representantes no governo federal, como Guilherme Boulos (SP), na Secretaria-Geral da Presidência, e Sonia Guajajara (SP), no Ministério dos Povos Indígenas. O partido também compõe a base combativa do governo no Congresso. A possível federação com o PT é vista como estratégia para manter aliados próximos a Lula nas eleições de outubro e, ao mesmo tempo, pressionar o PT a adotar posições mais à esquerda, diante de recentes aproximações com o Centrão na Câmara.

Reações no PT

Dentro do PT, a proposta é recebida com cautela e também divide opiniões. Durante encontro de dirigentes em São Paulo, na última segunda-feira, o deputado federal Jilmar Tatto classificou a união como um “sonho” e destacou o potencial de fortalecimento da bancada, citando nomes como a deputada do PSOL-SP. Por outro lado, o deputado Carlos Zarattini e o ex-ministro José Dirceu demonstraram ceticismo. Zarattini lembrou críticas recentes do PSOL ao PT em temas regionais, como a Hidrovia do Tapajós, enquanto Dirceu mencionou a resistência de setores psolistas, como o de Valério Arcary, que poderiam “atrapalhar mais do que ajudar”.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reforçou o papel de protagonista do partido e minimizou as divergências internas do PSOL, destacando que a legenda vizinha será desafiada neste ano eleitoral. Edinho também esteve presente na reunião do PSOL, ao lado do secretário-geral do partido, Henrique Fontana, do secretário de Organização, Laércio Ribeiro, e do secretário de Comunicação, Éden Valadares.

Alianças regionais em debate

O encontro também abordou alianças em construção entre PT e PSOL em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe. Uma das principais apostas é a indicação da ex-deputada Manuela D'Ávila para o Senado no Rio Grande do Sul, em uma composição cuja cabeça de chapa é disputada entre o presidente do Conselho Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, e a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT), neta do ex-governador Leonel Brizola.