Poder e Governo
Marcos Pereira diz que decisões do PL afastam Republicanos de aliança com Flávio Bolsonaro: 'Quem tem que buscar apoios é ele'
O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), disse em entrevista ao GLOBO que o PL e o pré-candidato à Presidência do partido, Flávio Bolsonaro, tomam decisões que distanciam uma possibilidade de aliança nacional com a sigla nas eleições deste ano. O dirigente partidário declarou que o partido ainda não tomou nenhuma decisão sobre quem vai apoiar para presidente, mas reclamou de costuras feitas por Flávio e o PL que atrapalham os planos eleitorais do Republicanos. Uma opção não descartada, segundo ele, é a legenda apresentar uma candidatura própria, ainda que considerada remota essa possibilidade.
Pereira se queixou das tentativas do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de tentar filiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e tirá-lo do Republicanos, e também criticou a decisão, articulada por Flávio, de definir o palanque no Rio de Janeiro sem incluir o Republicanos em nenhuma vaga da chapa.
— Se eles [candidatura de Flávio] querem meu apoio, você acha que com essa pressão aproxima ou distancia? Com a decisão unilateral que eles tomaram no Rio? — disse.
O presidente do Republicanos afirmou que Tarcísio seria um nome melhor para disputar a Presidência e que seria capaz de unificar a centro-direita, mas vê como improvável ele disputar sem o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O deputado também indicou que Flávio não tem mostrado interesse em procurar o apoio do partido.
— Ele me procurou no dia que lançou a pré-candidatura para jantar na segunda seguinte, quando ele jantou com os demais colegas de outros partidos. Eu não pude estar presente e no dia falei para ele: “Quando eu chegar amanhã em Brasília, eu te mando uma mensagem pra gente conversar, estou à disposição para conversar”. E mandei a mensagem e ele não respondeu. Então não tem também porque... Quem tem que buscar os apoios é ele.
Ainda há possibilidades do governador Tarcísio de Freitas ser candidato à Presidência neste ano?
Com um integrante do Republicanos na Esplanada de Lula, o presidente do partido diz considerar improvável uma coligação formal com o petista nas eleições. Ele também criticou o desfile da escola de samba que homenageou o presidente na Marquês de Sapucaí, no Rio, e falou que o Planalto deve estar “arrependido” diante da repercussão negativa com o segmento evangélico.
A cada dia que passa está mais distante, mas a política é como nuvem. Até 4 de abril muita coisa pode acontecer, mas é importante deixar claro que Tarcísio jamais irá sem o apoio do Bolsonaro, o que eu acho que com esses números [de Flávio Bolsonaro nas pesquisas] fica mais difícil deles desistirem.
Qual será a posição do Republicanos nas eleições à Presidência?
A decisão sobre apoio para a presidência da República será tomada no tempo certo, com a Executiva do partido reunida. Nós temos uma janela partidária que vai abrir agora e que vai fechar no início de abril. Eu não posso tomar uma decisão com a janela aberta. Não sei quem virá e quantos virão. Nesse contexto, preciso reunir o partido que vai para a eleição, não é o partido do momento. Essa decisão vai ser tomada lá para o final de abril, maio, reunindo a bancada que ficou após a janela com os membros da Executiva e os senadores. Não tem por que decidir isso agora, até porque as convenções serão em julho e agosto.
Tarcísio chegou a falar algo sobre a possibilidade de concorrer ao Planalto?
Não. O que ele tem dito é o que ele tem dito de verdade, que vai pra reeleição e que vai apoiar o Flávio. Agora, tem que ter calma, né? Não estou desejando nada, acho que Flávio está se consolidando e acho que ele vai se consolidar, mas as coisas podem acontecer ou não. Não somos donos do futuro.
Quem o sr. acha que é o favorito hoje para vencer a eleição presidencial de 2026? Flávio ou Lula?
Vai ser uma eleição extremamente disputada, vai ser muito próximo um do outro, não só pela pesquisa que saiu hoje, mas pelo cenário de polarização mesmo.
O desempenho de Flávio nas pesquisas pode trazer o Republicanos para a coligação dele?
Nós vamos conversar no momento certo, dependendo do sentimento da maioria do partido. Ele me procurou no dia que lançou a pré-candidatura para jantar na segunda seguinte, quando ele jantou com os demais colegas de outros partidos. Eu não pude estar presente e no dia falei para ele: “Quando eu chegar amanhã em Brasília, eu te mando uma mensagem pra gente conversar, estou à disposição para conversar”. E mandei a mensagem e ele não respondeu. Então não tem também porque... Quem tem que buscar os apoios é ele.
Mas as pesquisas que mostram Flávio em empate com Lula facilitam uma aliança?
Essa pesquisa não, mas as pesquisas de final de abril, de maio poderão interferir. Acho que o segundo turno será Lula e Flávio Bolsonaro. Se o Bolsonaro disser que o candidato dele é qualquer pessoa, ela já sai com 20%. E aí tem 15% de antipetismo, já dá 35%. Então ele vai pro segundo turno. Eu não vejo, infelizmente, porque a polarização não é boa pro Brasil, uma uma terceira via crescendo ao ponto de chegar no segundo turno. A preço de hoje o segundo turno será Lula e Flávio.
Se o sr. fala que não tem uma terceira via o Republicanos vai apoiar um dos dois?
Não sei, vamos esperar. Não vai tirar de mim uma resposta porque não tem resposta.
Ainda não teve uma nova conversa entre o senhor e o senador Flávio?
Só uma vez porque ele externou uma outra colocação sobre o Rio de Janeiro, mas também já virou a página porque eles acabaram de fechar o palanque do Rio de Janeiro.
Quem o Republicanos vai apoiar para governador do Rio? Eduardo Paes ou Douglas Ruas?
No Rio a gente vai ver agora, havia uma proximidade com o governador [Cláudio Castro, do PL], mas agora nós vamos ter que ver como é que vai ficar. Ele [Eduardo Paes] quer falar o tempo todo conosco, gosto dele, tenho tenho muito boa relação com ele, o presidente do Republicanos no Rio vai estar com ele nesta semana, me disse que foi procurado por ele, e vai estar com ele nos próximos dias.
O problema com o PL foi a falta de espaço do Republicanos na majoritária do Rio?
Óbvio, lá vai ficar PL para governador e para o Senado, PP para vice e a outra vaga no Senado para o União. Então está resolvido, né? Não precisa do Republicanos.
A tendência hoje do Republicanos é o apoio ao presidente Lula, o apoio ao senador Flávio Bolsonaro ou a neutralidade?
Não sei porque eu não tenho ainda a formação [da bancada do Republicanos]. Eu não sei ainda quantos vão me procurar dizendo que vão sair. Não sei ainda quantos vão entrar. Tenho ideia, mas não sei. Vou ver como é que vai ficar a configuração. Eu vou tomar a decisão junto com a Executiva. Nós vamos tomar a decisão juntos do que for melhor para o crescimento do Republicanos.
Há setores do Republicanos que são próximos do PT em alguns estados e falaram que vão fazer palanque para Lula em qualquer cenário, mesmo que o Republicanos esteja coligado com um candidato de direita. Também há outros setores próximos do bolsonarismo. O Republicanos vai liberar essas alianças?
Vamos aguardar. Em 2022, o partido apoiou formalmente Bolsonaro para a reeleição e lá em Pernambuco, Silvinho [Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos] foi liberado pela Executiva para fazer a campanha para o candidato dele [Lula]. Agora eu não sei, é outro cenário. Vamos ter tempo.
Tarcísio uniria mais facilmente a direita e a centro-direita do que Flávio? Por quê?
Sem dúvida. Tarcísio uniria e agradava mais ao Republicanos, ao PSD, ao PP, União, Podemos e até ao PSDB. Eu não tenho dúvida que agregaria mais. Ontem mesmo eu fui na FPA, na frente parlamentar da agropecuária, para falar do acordo Mercosul-União Europeia e uns três ou quatro deputados falaram : “Marcos Pereira tem que incentivar o Tarcísio a ser candidato. Ele é a solução”. Mas ele não vai por causa de uma lealdade, que é louvável também.
Gilberto Kassab citou a palavra submissão ao falar da relação de Tarcísio com Jair Bolsonaro. O sr concorda?
Eu não concordo, respeito o Kassab. Acho que o Kassab é uma pessoa muito inteligente, muito preparada, muito ágil. Todos nós estamos sujeitos a derrapadas, a escorregadas e eu acho que foi uma escorregada dele em dizer que o governador é submisso. Quem conhece Tarcísio sabe que ele não é submisso a ninguém. Se Tarcísio fosse submisso ao Bolsonaro, ele teria ido pro PL. Porque Bolsonaro disse para mim em 2022 que não abria a mão dele e de Luciano Hang no PL. Quantas vezes Bolsonaro e o PL inteiro fizeram pressão para que ele fosse pro PL? Então isso não é submissão, é lealdade.
Eles ainda fazem pressão para Tarcísio ir para o PL?
Estão fazendo.
Acha que ele pode se filiar?
Se eles [candidatura de Flávio] querem meu apoio, você acha que com essa pressão aproxima ou distancia? Com a decisão unilateral que eles tomaram no Rio? O presidente do partido Republicanos do Rio, deputado Luís Carlos, e eu como presidente nacional, soubemos pela imprensa a chapa já fechada. Isso aproxima ou distancia?
Há uma disputa entre PL, MDB e PSD pela vice de Tarcísio. Qual o senhor acha que é o melhor caminho?
O melhor caminho é manter o atual vice. Mas o Kassab tem esse interesse. O Kassab é um ator importante que precisa ser considerado também. É o governador que vai decidir. Porque o vice, eu entendo que a escolha pessoal é do titular, tem que ser, mas na medida do possível, sempre que possível, uma escolha do que cabe a essa chapa. Pela lealdade do Felício, o mais certo era manter e o Kassab já estaria contemplado, já que o Felício é do partido dele. Eu acho que a tendência é o que eu vou defender, que é manter a chapa original.
Se Lula aceitar a indicação de um vice do Republicanos, a legenda aceitaria apoiar formalmente o presidente?
Alckmin é meu amigo pessoal de longuíssima data da nossa relação lá de São Paulo. Acho muito difícil o Lula não reconduzi-lo como candidato a vice. É importante registrar aqui que José Alencar foi vice de Lula pelo PL e foi reeleito pelo nosso partido, reeleito vice do PRB na época, recém-criado. E ele procurou o Lula e disse que iria se filiar a um partido recém-criado, que não tinha deputado, não tinha tempo de televisão, não tinha nada. E o Lula respondeu para ele que ele só não seria vice se ele não quisesse, que ele poderia ser vice em qualquer partido. Então eu não acredito que o Lula vai tirar [Alckmin], ele não tem motivos para tirar. Não vou pleitear a vice de Lula. Primeiro ponto é esse. Segundo ponto é que a formação do partido, a julgar por hoje, teria muita dificuldade em apoiar Lula formalmente, porque a grande maioria hoje, não sei como é que vai ser a partir de abril, dos diretórios estaduais, da bancada de deputados federais é de um campo de centro direita. Eu não vou dizer que é impossível [apoiar Lula], porque em política não tem impossível. Não vou dizer que nada é 100% decidido, mas é difícil. Então o caminho é ou para cá ou pelo centro ou pela neutralidade.
O caminho “para cá” seria Flávio Bolsonaro?
Direita. Não sei, pode ser um candidato da terceira via, mesmo que seja pouco provável. Em 2018, nós apoiamos Geraldo Alckmin que terminou com 5%.
Teve uma rusga do senhor com Gilberto Kassab no processo da sucessão de Arthur Lira na presidência da Câmara. Como está a relação hoje, isso já foi superado? Pode atrapalhar um diálogo entre Republicanos e PSD?
Não, imagina. Ali eu fiz uma colocação que foi verdadeira, foi a minha interpretação e eu já conversei várias vezes com o Kassab depois disso. Almocei com ele, esclarecemos os pontos de vista de ambos os lados e inclusive combinamos de na medida do possível nos palanques estaduais estarmos juntos. Está superado. É coisa do passado.
O sr chegou a falar com os governadores Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado sobre a disputa presidencial?
Depois que eles se juntaram, todos ao PSD, não.
O senhor acredita que o PSD vai levar alguma candidatura presidencial até o fim?
Acho que é possível levar até o fim, até para não apoiar nem um e nem outro. É o que eu entendo das entrevistas que eu li do Kassab e do que ele mesmo tem falado conosco, é que para não apoiar um campo nem apoiar o outro, ele lançará um candidato. É provável que eles lancem assim como o MDB lançou a Simone Tebet, como União Brasil lançou a Soraya Thronicke [em 2022], precisamente para não ficar na polarização. De repente, o Republicanos lança um nome também.
O Republicanos pode ter nome para a Presidência?
Vamos ver. Tem Damares [Alves], [Hamilton] Mourão. Nem conversei com eles sobre isso não, mas a gente não sabe. As coisas podem mudar, pode ser uma solução também.
Candidatura própria é um cenário bem remoto ou há possibilidade neste ano do Republicanos lançar candidato a presidente?
Vamos esperar um pouquinho até 4 de abril, que é o último dia das filiações. É legítimo, todos os partidos que têm relevância e o Republicanos tem relevância, querer ter protagonismo. Falei dos senadores porque eles não disputam eleição neste ano, estão no meio do mandato. De repente o próprio [senador] Cleitinho pode ser um candidato. Não conversei isso com nenhum deles.
Um nome que não seja o do governador Tarcísio?
Ele não vai [sair candidato à Presidência] sem o apoio do Bolsonaro.
O presidente Lula e o governo foram criticados após o desfile da escola de samba de Niterói, especificamente a ala dos "neoconservadores", com fantasias de "famílias em conserva" pelo segmento evangélico. O que o sr achou do desfile?
Foi muito ruim. A repercussão fala por si só. Eu acho que eles também ficaram preocupados. Eles devem estar arrependidos, porque se querem mesmo se aproximar desse segmento, está cada vez mais se distanciado. Eles não podem abrir esse diálogo porque é contra o que eles pregam. Então, por exemplo, a gente sabe que o o o segmento progressista é a favor do aborto, e o segmento evangélico é contra, o segmento progressista e, tem alguns, não todos, tem essa pauta da ideologia de gênero. Não estou falando de respeito a que tem as suas opções sexuais. Isso aí os evangélicos, pelo menos os moderados, também fazem. Agora, pregar esse ativismo de incentivar, inclusive a sexualidade de crianças, tudo isso distancia. Eles não tem como avançar. A pauta da segurança, uma pauta que a maioria dos brasileiros está preocupada e eles têm dificuldade também nessa pauta.
É possível o PT se aproximar do segmento evangélico?
Eles vão fazer todo o esforço, para ser pragmático ou para ser mais enfático, incisivo nesse diálogo, mas precisaria defender valores que eles não defendem, então não vão conseguir. E não é todo mundo que é que é do campo progressista que é a favor de aborto. Já ouvi de ministros do governo e do atual governo dizendo que que pessoalmente são contra. O próprio presidente eu já vi dizer que ele é contra, mas a gente sabe que o debate está aí.
Hugo Motta viveu dificuldades em seu primeiro ano no comando da Câmara e recebeu críticas até de seu antecessor, Arthur Lira. O que explica essas dificuldades?
Eu acho que ele foi vítima da pauta e da polarização. As pessoas que estão nos polos não são às vezes inflexíveis. E quando você não tem margem nenhuma para flexibilização, aí não tem diálogo, né? Hugo é uma pessoa muito do diálogo, o Arthur era mais, não vou usar uma palavra como truculento, mas ele era mais duro, mais centralizador, mais impositivo. O Hugo não é assim. São pessoas que têm perfis diferentes.
Como o senhor avalia esse primeiro ano da gestão do Hugo Motta?
Foi um ano difícil. mas que eu acho que ele já superou, está superando ao avançar nas pautas que foram avançadas no final do ano, inclusive essas de cassações, de anistia, que no caso foi a dosimetria, eu acho que começa a limpar a pauta para entrar esse ano aí com mais tranquilidade.
Ele corre risco de não ser reeleito à presidência da Câmara?
Não, não acho. Não estamos falando sobre reeleição agora, tem um ano inteiro pela frente. Você primeiro precisa ser reeleito deputado para depois poder ser candidato. E fica uma outra Câmara também, historicamente se renova 49%, 50% e poucos. 200 e tantos deputados vêm novos. Acho que vai ser por aí também novamente. Então tem que ter calma, tem que ter paciência. Ele é ele é habilidoso, é dedicado, tem chance sim de ser reeleito.
O senhor votou a favor do projeto da dosimetria. O presidente Lula vetou e há uma pressão para derrubar o veto, mas ainda não foi marcada sessão do Congresso para analisar o tema. Qual a previsão?
Quando for pautado, eu acho que vai ser derrubado.
Se convocar a sessão do Congresso, precisará ler a criação da CPI do Banco Master. Isso pode estar impedindo a derrubada do veto?
Nunca ouvi falar disso.
O presidente Hugo Motta já disse que na hora certa irá se posicionar politicamente nas eleições deste ano. O estado dele votou majoritariamente em Lula em 2022 contra Jair Bolsonaro e hoje ele busca apoio do presidente ao seu pai, Nabor Wanderley, que concorre ao Senado. Ele conversa com o sr sobre esse cenário?
Não, não chegamos a conversar sobre isso ainda. Ele está fazendo um esforço para ter o apoio desse campo aí lá para eleição do pai dele para o Senado. Mas eu acho que lá tá meio precificado. Acho dificilmente esse campo do PT apoiar lá. Minha opinião pessoal, eu não conversei com ele sobre isso, nem com ninguém, nem com do PT. Porque eles já tem os candidatos, já está meio precificado e dificilmente o presidente Lula vai deixar de apoiar o Veneziano [Vital do Rego]. Mas é um problema local e eu não me envolvo em problemas locais, só quando sou chamado para dar opinião ou conselhos. O pessoal dos diretórios tem total liberdade, autonomia para conduzir a política local
O sr é considerado um parlamentar com muita relação com o Supremo Tribunal Federal. O último ano foi marcado por tensionamento entre o Supremo e o Congresso. Como o sr avalia que está essa relação hoje?
Acho que a relação tá mais tranquila, mais amistosa, né? Ontem mesmo o presidente Alcolumbre e o presidente Motta foram ao Supremo para dialogar com o presidente Fachin, o presidente do TCU, PGR presente sobre os extra-tetos, penduricalhos. O diálogo está acontecendo. As buscas e apreensão [em operações da PF] são normais, se existem investigações e o juiz entende que tem que fazê-lo. Decisão judicial se cumpre e recorre.
O sr. acha que é possível avançar mais em um pacto sobre as emendas parlamentares?
O acordo feito está sendo cumprido. Eu prefiro não falar sobre o assunto [emendas parlamentares] porque isso é um assunto que é conduzido pelo presidente presidente da Câmara, ouvindo os líderes. Como eu não sou o presidente da Câmara, nem líder, eu sou apenas o presidente do partido, eu prefiro me abster de dar opinião. Eu defendo as emendas, defendo veementemente. Se existem maus feitos, se algum parlamentar tá fazendo mal feito e existe denúncia, tem que ser investigada, apurada e comprovado a participação em casos criminosos, tem que ser punido. E quem conhece melhor as necessidades dos municípios são os parlamentares, não são os ministros. Vai me dizer que o ministro Jader Filho, das Cidades, que é meu amigo de longuíssima data antes até dele ser ministro, conhece melhor as cidades do interior de São Paulo do que eu? Eu estive agora no final de janeiro numa cidade chamada Mesópolis, que tem 1099 habitantes pelo IBGE. Eu tenho certeza que Jader Filho, nunca nem ouviu falar de Mesópolis. É legítimo e é normal. Não adianta o governo federal querer dizer que o Brasil é muito grande, é continental, então eu defendo sim. Agora se tem malfeitos tem que ser apurado, tem que ser investigado. E comprovando, cada um responsável pelo que faz, né?
Há pedidos no Congresso para a instalação de uma CPI que investigue o caso do Banco Master. O sr defende que elas sejam instaladas?
Nesse ano de eleição é muito complexo. O Ministério Público já está investigando junto com a Polícia Federal. Não é só o inquérito que tá no Supremo com o ministro André Mendonça, tem outros, do Rio Previdência já está lá e deve ter outros espalhados por aí. Em ano eleitoral eles vão querer pegar esse tema e fazer só política. Uma CPI não deveria ser só por questão política, deveria ser para trazer a verdade, para realmente punir responsáveis. Isso a Justiça já está fazendo. Então, para que mais uma CPI para virar sua política de um lado e de outro para acirrar a polarização? A verdade é que essa CPI como outras é para ser polarização. O banco já está liquidado pelo Banco Central, já tem vários inquéritos correndo sobre temas específicos. O do BRB é um que está com Mendonça, os do fundo de previdência do Rio é outro e salvo engano tem outros de fundos de previdência que começaram a surgir pelo Brasil afora. Isso vai ser tocado normalmente. Agora, o que o Parlamento tem a ver com isso? Falando tecnicamente. O que que o Parlamento tem a ver? O dinheiro do BRB tem que ser investigado é pela Câmara Legislativa, não é pela Câmara Federal ou ou pelo Senado.O dinheiro do FGC que tá cobrindo o rombo do banco? É um dinheiro privado, porque quem aporta o dinheiro no FGC são os bancos. Então, o dinheiro do sistema mesmo para proteger o sistema. Mas vamos lá, que mais? Ah, teve festinhas aí pouco republicanas, orgias, isso é problema pessoal de cada um, se o sujeito não foi lá trocando por serviços públicos é problema da vida pessoal da pessoa.
Mas as investigações apontam suposto envolvimento com figuras dos Três Poderes...
O Judiciário já está apurando. Eu não estou vendo pertinência temática. Onde é que tá o interesse político sobre isso? É diferente, por exemplo, do INSS, que é um dinheiro federal, público federal, e o Parlamento tem a obrigação de fiscalizar a atividade da União. É diferente. Qual o dinheiro público federal que teve no Master?
Mas tem a relação com políticos. O próprio presidente Lula recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro...
Presidente Lula recebeu, presidente Bolsonaro recebeu vários empresários, o Temer recebeu empresários, foi gravado por um empresário, Dilma recebeu. Isso é função de um presidente da República, do tamanho que ele [Vorcaro] estava o presidente não vai receber? Como recebe o André Esteves e como recebe, imagino, o presidente do Bradesco. Isso é normal. Já que tem agente político, deixa na mão do Judiciário para não politizar. Essa é a minha defesa aqui.
União Brasil, PP e Solidariedade assinaram uma nota em defesa de Toffoli no caso do escândalo do banco Master. O sr foi procurado para assinar? Qual a sua avaliação sobre o caso?
Não tenho dúvidas que houve fraudes. Relações pessoais do banqueiro com políticos, membros do Executivo e do Judiciário está sendo apurado pelo Judiciário então vamos ver qual vai ser o desfecho dessa apuração. Em relação à nota, eu não fui procurado. E mesmo que eu fosse, não vi a necessidade de fazer nota, porque gosto do Toffoli, acho que ele em certa medida foi vítima de vazamentos seletivos da Polícia Federal, porque contrariou alguns interesses da PF. Se ele estava impedindo a investigação de ser conduzida como outros queriam ou como deveria eu não sei. Não estou lá dentro, é uma coisa que eles têm que resolver. Tecnicamente, quem pode investigar ministro do Supremo? Só a Procuradoria-Geral da República com autorização do próprio Supremo.
Qual a avaliação do sr para a atuação dos ministros do Supremo nesse caso?
Não é minha função julgar ministro de corte nenhuma. Até porque tenho boa relação com a maioria deles. Porque eu prefiro dizer que eles resolvam as idiossincrasias deles entre eles,. Que tem idiossincrasia, tem. Se não tivesse, não tava aí no que está escrito na imprensa de o presidente querendo fazer um Código de Conduta.
O sr é a favor dessa iniciativa?
Com maior transparência e o que mais a gente puder ter de previsibilidade, sobretudo para quem exerce cargo público, melhor é. Todas as instituições, inclusive o Supremo, não estão acima da lei, da Constituição. Mas' o sistema jurídico é esse: quem pode investigar é o próprio Supremo, como também quem pode investigar parlamentar é a PGR e o Supremo. Quando você distorce o sistema, não estou falando que ele está bom ou ruim, certo ou errado, mas é o sistema. Se não está bom, vamos mudar o sistema. Quem tem poder de mudar é a política.
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