Poder e Governo
STF é alvo de críticas em reportagem da The Economist sobre caso Master
Revista britânica aponta que caso Master reacendeu debates sobre a conduta dos membros do Supremo
"Tudo começou com um banqueiro que gostava de supermodelos e jatos particulares", assim descreveu a revista The Economist ao reportar como o Supremo Tribunal Federal se viu envolvido em um "enorme escândalo" no Brasil. A publicação destacou que o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, "não foi o único a tremer na base" após sua prisão e a liquidação da instituição por fraude, devido às ligações com políticos de diferentes espectros e com magistrados da mais alta corte do país.
A Economist ressaltou que o caso Master "reacendeu os debates no Brasil sobre a conduta dos membros da mais alta instância judicial do país", o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a análise da revista, alguns dos magistrados "mais poderosos do mundo mantêm uma relação excessivamente próxima com a elite empresarial e política".
Ao abordar os questionamentos sobre ministros do STF, a revista observa que a repercussão pode impulsionar a direita — que nutre "especial animosidade" pela Corte — nas eleições ao Senado e fortalecer discursos em defesa da abertura de processos de impeachment contra ministros.
Dias Toffoli é citado 12 vezes na reportagem, com menções ao investimento de uma pessoa ligada a Vorcaro em um resort do qual a família do ministro era sócia, no Paraná, e ao relatório da Polícia Federal que apontou mensagens entre o magistrado e partes do processo do qual era relator. Sobre Alexandre de Moraes, citado 11 vezes, a Economist destacou o elo do banco Master com sua esposa, Viviane Barci.
"O colega de Toffoli no Supremo Tribunal, Alexandre de Moraes, também está em apuros. Quando surgiram provas de que a esposa de Moraes, que é advogada, havia recebido um contrato incomumente vago e lucrativo para representar o Banco Master, Moraes abriu uma investigação contra funcionários da Receita Federal por vazamento de informações confidenciais", relatou a publicação.
A revista pontuou ainda a iniciativa do presidente do STF, ministro Edson Fachin, de articular um código de conduta para a Corte.
"Os senhores Toffoli e Moraes reagiram imediatamente. Ambos afirmam nunca terem julgado um caso com conflito de interesses e que a adoção de um código de ética é desnecessária", destacou a Economist.
No texto, a revista lembra que o STF foi responsável por julgar os atos golpistas, mas pondera que a atuação do tribunal não está imune a críticas.
"Mesmo defendendo a democracia, o tribunal tem se mostrado mais intransigente, por vezes interpretando críticas a seus membros como um ataque à própria democracia", conclui a reportagem.
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