Poder e Governo
Movimento de Eduardo Paes tira direita da inércia e acelera plano do PL para o governo do RJ
Após prefeito fechar aliança com o MDB e anunciar o vice, grupo de Flávio Bolsonaro reage, define chapa e discute levar aliado ao Palácio Guanabara antes da eleição
O movimento do prefeito Eduardo Paes de consolidar parceria com o MDB e anunciar a irmã do dirigente Washington Reis, Jane Reis, como candidata a vice tirou a direita da inércia e acelerou as articulações do PL para a disputa pelo governo do Rio de Janeiro. A reação incluiu a definição de uma pré-chapa e o avanço da estratégia de tentar colocar um aliado no comando do estado antes mesmo da eleição de outubro.
Suposta prática de rachadinha:
‘Prefeito maravilhoso’:
Partido do presidenciável Flávio Bolsonaro, o PL definiu a composição inicial da chapa. Caso não mude até a campanha, o deputado estadual licenciado e secretário de Cidades, Douglas Ruas, será o candidato ao governo, com o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (Progressistas), antes cortejado por Paes (Partido Social Democrático), no posto de vice. Segue, no entanto, a indefinição sobre a disputa indireta que o estado tende a enfrentar nos próximos meses, apesar de o próprio Ruas despontar como principal possibilidade.
Após reunião com Flávio na sede do partido, em Brasília, também foram anunciados os nomes escolhidos para a corrida pelo Senado: o governador Cláudio Castro (PL), que no momento está ameaçado de cassação, e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil). O presidenciável ainda emplacou a mãe, Rogéria Bolsonaro, como futura suplente de Canella.
A aliança reúne os três partidos com o maior número de prefeituras no estado, o que dá ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro um palanque robusto em seu reduto, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliado de Paes, enfrenta rejeição alta. Uma das apostas do PL passa por associar o prefeito ao petista.
Antes da ida a Brasília, os envolvidos na aliança foram convocados para uma reunião no Rio na noite de segunda-feira. Ali, acertou-se o desenho da chapa e foi planejada a viagem. Já na capital federal, o encontro contou com os pré-candidatos a todos os cargos e dirigentes como Altineu Côrtes e o senador Bruno Bonetti, que preside o PL no município do Rio, além do chefe nacional do partido, Valdemar Costa Neto.
— Douglas é uma grande liderança, jovem, policial civil, e realizou um trabalho extraordinário à frente da Secretaria de Cidades do Rio de Janeiro. É uma pessoa respeitada na política e que tem o apoio dos partidos que estão se integrando a esse projeto — disse Flávio após a reunião.
Com a confirmação de que Castro concorrerá ao Senado, o estado se encaminha para ter uma dupla vacância de poder, dado que o então vice-governador Thiago Pampolha virou conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Assim, os deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro vão precisar eleger um governador-tampão com mandato até o fim do ano, depois de o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro assumir de forma interina o Palácio Guanabara e convocar a disputa indireta em até 30 dias. Castro tem até 4 de abril para se desincompatibilizar.
Antes disso, no entanto, o Tribunal Superior Eleitoral retomará o julgamento do caso Ceperj, marcado para 10 de março, que ameaça cassar Castro e deixá-lo inelegível. O governador é acusado de abuso de poder político e econômico no período anterior à eleição de 2022 por causa da contratação, de modo “fantasma”, de funcionários que, na verdade, seriam cabos eleitorais. Ele tenta um novo pedido de vista por parte de algum ministro, o que postergaria outra vez o desfecho do processo.
Segundo participantes da reunião desta terça, o candidato para a eleição indireta só será anunciado mais perto do prazo. Castro tenta emplacar o secretário de Casa Civil, Nicola Miccione (PL), mas Flávio e o grupo de Altineu preferem que Ruas já seja o candidato na votação da Alerj. O objetivo é que ele chegue à campanha contra Paes, em outubro, sentado na cadeira de governador e no comando da máquina administrativa, o que é visto como uma condição mais favorável para impulsionar o desempenho nas urnas.
— O que decidimos enquanto grupo é que essa definição só será tomada quando tivermos plena segurança jurídica sobre qual regra prevalecerá. Até lá, não haverá precipitação. A decisão será colegiada, construída em consenso, sempre considerando o que for melhor para o projeto do grupo e para o objetivo maior, que é vencer as eleições e manter a governança do Estado — afirmou Castro.
Ruas é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, município que tem o terceiro maior colégio eleitoral do estado e é considerado um ativo eleitoral do grupo liderado por Altineu na parte leste da Região Metropolitana. Nos últimos meses, o agora pré-candidato disse a aliados inúmeras vezes que só toparia encarar a difícil eleição contra um político com a trajetória de Paes se já estivesse na cadeira.
Antes dos cargos de nível estadual, Ruas comandou a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais de São Gonçalo, pasta responsável por desenhar os convênios que justificam a alocação de recursos dos governos federal e estadual na cidade. Às vésperas da eleição de 2022, quando ele se elegeu para o primeiro mandato de deputado, o município era o quinto do país que mais havia recebido verbas das emendas de relator — modalidade que ficou conhecida como orçamento secreto e que foi extinta pelo Supremo Tribunal Federal ainda naquele ano.
O pré-candidato é inspetor concursado da Polícia Civil desde 2013. Embora não tenha um histórico considerado “operacional” como o do pai, policial militar, o trânsito na categoria é visto como um trunfo dentro do PL, que vai martelar a pauta de segurança pública. Ele se licenciou da corporação em 2019, quando assumiu uma superintendência do Instituto Estadual do Ambiente por indicação de Altineu.
Anunciado agora pelo outro lado do jogo, Lisboa era até pouco tempo o favorito para o posto de vice da chapa de Paes, com quem mantém boa relação. Integrantes do Progressistas, no entanto, reclamam da “pressa” do prefeito do Rio, que, insatisfeito com a dificuldade de garantir o apoio do partido, partiu para um acordo com o MDB e já definiu um nome para a vice. Todas as negociações com o PP dependem também do União Brasil, dado que os partidos vão formar uma federação partidária. No Rio, quem lidera o bloco é o União, representado pelo presidente Antonio Rueda.
Após ser apontado como pré-candidato do PL, Ruas afirmou que a candidatura surgiu de um consenso entre o PL e a federação.
— A pré-candidatura, para eu colocar o meu nome, dependeria de ser um consenso das lideranças partidárias. Primeiro precisava ter um consenso dentro do PL — disse. — Ninguém pode ser candidato de estrelismo. No PL, especialmente no Rio, nós temos três senadores, um governador e o pré-candidato a presidente da República. Há que se ter um consenso dessas lideranças.
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