Poder e Governo
Fachin reúne Motta, Alcolumbre e Gonet antes de decisão do STF sobre penduricalhos
Chefes do Legislativo foram convidados pelo presidente do STF; ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino participam da conversa
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, reuniu-se na manhã desta terça-feira, na sede da Corte, com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, além dos ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino.
O encontro ocorre às vésperas do julgamento, pelo plenário do STF, da decisão do ministro Flávio Dino que suspendeu a criação e o pagamento de benefícios capazes de elevar remunerações do funcionalismo público acima do teto constitucional, hoje fixado em R$ 46,3 mil.
Segundo interlocutores ouvidos pelo GLOBO, a discussão sobre os chamados penduricalhos está no centro da conversa entre os chefes dos Poderes. A expectativa no Supremo é que o julgamento consolide um entendimento da Corte sobre os limites para o pagamento de verbas indenizatórias, tema que passou a mobilizar simultaneamente o Judiciário, o Ministério Público e o Congresso Nacional.
A reunião acontece em meio ao aumento da pressão sobre o Legislativo para avançar em uma lei geral que discipline esse tipo de pagamento. Na decisão levada ao plenário, Dino determinou prazo para que os Três Poderes revisem benefícios atualmente pagos e destacou a necessidade de regulamentação por meio de legislação aprovada pelo Congresso.
O debate ganhou novo impulso após decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, proferida na noite de segunda-feira, que condicionou o pagamento de vantagens a integrantes do Judiciário e do Ministério Público à existência de previsão legal específica, restringindo a criação de benefícios por atos administrativos ou normas locais.
O encontro desta terça-feira busca alinhar posições institucionais antes do julgamento, diante do impacto administrativo e político que uma eventual confirmação das medidas pode produzir sobre carreiras públicas e sobre a própria relação entre os Poderes.
A previsão é que o plenário do STF analise o caso nesta quarta-feira, quando os ministros decidirão se mantêm ou não as restrições impostas às remunerações acima do teto constitucional.
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