Poder e Governo
Vice-presidente do PT critica ala de desfile que homenageou Lula e defende respeito a segmento conservador
Washington Quaquá afirma que quem deseja governar o país precisa compreender o 'Brasil real' ao comentar a representação de famílias conservadoras pela Acadêmicos de Niterói.
O prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, criticou a ala "Neoconservadores em conserva" do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, cujo enredo homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A agremiação levou à avenida famílias representadas dentro de latas, algumas portando adereços com referências religiosas. Para Quaquá, quem deseja governar o país "precisa entender o Brasil real", ressaltando que o partido "não pode deixar de dialogar com quem é conservador nos costumes".
"O PT nasceu como um partido popular, e partido popular não escolhe pedaço do povo. Uma parte significativa do nosso povo pensa assim e merece respeito", afirmou Quaquá em suas redes sociais.
A representação da família conservadora na ala gerou reações diversas na sociedade. Frentes evangélica e católica divulgaram notas criticando o teor do desfile e cobrando responsabilização dos envolvidos.
De acordo com pesquisa Ideia, divulgada quatro dias após o desfile, 11% dos entrevistados consideraram a ala uma crítica artística legítima, enquanto 8,7% a viram como sátira aceitável. Já 19,2% não souberam opinar.
Impacto eleitoral
A homenagem a Lula provocou reações políticas, com potencial impacto entre o público conservador, considerado um dos mais resistentes ao petista. Segundo pesquisa Genial/Quaest deste mês, a desaprovação de Lula entre evangélicos é de 61%, contra 34% de aprovação. No geral, a taxa desfavorável ao governo é de 49%, ante 45% de aprovação.
Lideranças do PT avaliam que o presidente precisará adotar gestos de aproximação com o segmento evangélico para recuperar a imagem junto a esse eleitorado após o episódio do desfile.
No sábado, Lula comentou as críticas ao desfile durante entrevista a jornalistas em Nova Délhi, na Índia:
— Eu não penso. Porque primeiro eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa — disse o presidente.
Dias antes, o Palácio do Planalto decidiu agir para conter a crise. O ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, declarou que houve impulsionamento de postagens críticas ao governo e ao presidente. Por conta disso, a direção do PT avalia ingressar com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo Sidônio Palmeira, os impulsionamentos criaram "um debate falso" sobre o tema:
— É uma coisa impulsionada feita intencionalmente. É oportunismo eleitoral — afirmou o ministro.
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