Poder e Governo
'Não empolgou a direita', afirma Malafaia sobre candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência
Líder religioso volta a dizer que senador não tem força política; fala ocorre após Tarcísio cancelar visita a Bolsonaro
O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, voltou a criticar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Segundo Malafaia, a iniciativa "não empolgou" a direita, que vê no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um nome mais forte para a disputa eleitoral.
A declaração do pastor foi feita nesta quarta-feira (5) ao SBT News, pouco após o cancelamento da visita de Tarcísio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecido como Papudinha. Flávio Bolsonaro já havia antecipado que, durante o encontro, o governador ouviria de Bolsonaro que "eleições presidenciais estão descartadas" para ele.
"Se não juntar centro e direita, não ganha essa eleição. E o Tarcísio engloba mais isso do que o Flávio. Eu não vejo o Flávio com musculatura para derrotar Lula (PT)", afirmou Malafaia. "A candidatura do Flávio não empolgou a direita", completou, justificando que o apoio de políticos ao senador foi apenas "para não se queimarem".
Para o pastor, Flávio Bolsonaro seria "o candidato que a esquerda quer". Malafaia defendeu que Tarcísio tem "mais capilaridade" e sugeriu uma chapa com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, "que tem a direita, as mulheres e é filha de nordestinos". No mês passado, logo após Flávio anunciar a pré-candidatura, o líder religioso já havia manifestado descontentamento e classificou a escolha como um "movimento errado".
Apesar das críticas, Malafaia ressaltou não ver problema em a direita ter "três ou quatro" candidatos, citando os governadores Ronaldo Caiado (Goiás), Romeu Zema (Minas Gerais) e Ratinho Júnior (Paraná) como nomes "competentes para ser presidentes". "Mas a questão não é ter competência, é quem pode vencer essa corja. Se tiver mais de um candidato da direita (no primeiro turno), eu vou escolher o que eu achar melhor. Quem for para o segundo turno, eu vou apoiar", disse.
Poucas horas após o anúncio da pré-candidatura de Flávio, em 5 de dezembro, Malafaia já havia criticado o movimento em suas redes sociais: "O amadorismo da direita faz a esquerda dar gargalhadas. Não estou falando nem contra e nem a favor de ninguém. Somente isto", escreveu, sem citar diretamente o senador.
Flávio 'consolidado'
De acordo com a última pesquisa Genial/Quaest, no cenário de segundo turno entre Flávio e Lula, o senador aparece com 38% das intenções de voto, sete pontos abaixo dos 45% do petista. Quanto à rejeição, Flávio viu o índice cair de 60% para 55%, igualando-se ao patamar de Lula, rejeitado por 54%.
Tarcísio, em eventual segundo turno, teria 39% contra 44% de Lula. Em um cenário com os três disputando o primeiro turno, Lula lidera com 36%, seguido por Flávio (23%) e Tarcísio (9%).
O cancelamento da visita de Tarcísio a Bolsonaro foi atribuído a "compromissos de agenda" do governador. No entanto, nesta quinta-feira, Tarcísio terá apenas despachos internos no Palácio dos Bandeirantes.
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