Poder e Governo

Eleição por mandato-tampão no Rio Grande do Norte opõe PT, Centrão e bolsonarismo; entenda

Vice do MDB rompeu com governadora petista nesta semana, anunciou apoio à oposição e disse que vai se candidatar a deputado estadual

Agência O Globo - 21/01/2026
Eleição por mandato-tampão no Rio Grande do Norte opõe PT, Centrão e bolsonarismo; entenda
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio Grande do Norte articula na Assembleia Legislativa uma candidatura própria ao “governo-tampão” em reação ao comunicado do vice-governador, Walter Alves (MDB), de que deixará o governo até abril. A saída do emedebista atrapalha os planos de sucessão da governadora Fátima Bezerra (PT), cujo desejo é renunciar ao mandato para disputar uma cadeira no Senado. A Constituição prevê que, neste cenário de vácuo na posição, cabe à Casa realizar uma eleição indireta para escolher um governador que permanecerá no cargo até janeiro. O cenário provocaria uma disputa na Assembleia centrada entre petismo, Centrão e bolsonarismo.

MST:

Eleição:

O anúncio de Alves, que preside o MDB no estado, ocorreu na segunda-feira, quando também declarou que irá concorrer a deputado estadual em outubro e apoiar uma chapa de oposição ao PT. Para disputar qualquer posição pública, tanto Bezerra quanto o vice devem deixar o Executivo estadual até abril.

Bezerra, por sua vez, apoia o secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT), como sucessor no pleito de outubro. Xavier também é cotado para ser o nome da sigla na eleição indireta na Assembleia, assim como o deputado estadual Francisco do PT.

— A saída de Walter Alves foi uma surpresa para o PT. Não contávamos com essa possibilidade. Agora, estamos buscando diálogo com a bancada de esquerda e com o presidente da Assembleia. Estamos sendo procurados por partidos de outros campos políticos também — afirma Samanda Alves, presidente do PT do Rio Grande do Norte.

Oposição na Assembleia

A possibilidade de escolha da Assembleia por um nome de oposição para o possível “governo-tampão” é vista com preocupação pelo entorno da governadora. O nome escolhido pelos deputados ficaria no posto de governador durante o período de campanha eleitoral, um período visto como estratégico para o fortalecimento de candidaturas ao Executivo estadual.

O que pesa contra Bezerra é a capilaridade do PL na Casa — sigla que deve responder por um terço dos votos no período da eleição indireta. O cenário dificultaria a vitória de um nome apoiado por ela no estado, que é o berço eleitoral do líder da oposição, Rogério Marinho (PL). O bolsonarista está entre os nomes cotados para a disputa de outubro pelo governo estadual.

A base governista na Assembleia, composta de PT e PV, ocupa seis cadeiras, mesma quantidade do PL. Há, no entanto, a expectativa de que a bancada bolsonarista cresça com a janela partidária e se torne a maior da Casa. Já a coligação União Brasil e PP tem três cadeiras, enquanto o PSDB ocupa seis.

Alves afirma, em nota publicada na segunda-feira, que comunicou a governadora de que a posição do MDB no Rio Grande do Norte é “de caminhar com os partidos Federação União Progressista (União Brasil e PP) e PSD”. Ele afirma que a decisão de apoiar uma chapa de oposição foi tomada após consulta aos correligionários.

Por outro lado, o vice-governador diz que ratificou o posicionamento de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, e com o presidente nacional do PT, Edinho Silva.

Bezerra afirma que a sua candidatura ao Senado já está costurada politicamente e visa também auxiliar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

— A minha candidatura ao Senado está dentro das prioridades do PT nacional. Sei da importância da disputa congressual neste ano para a democracia — disse Bezerra ao GLOBO há duas semanas.

Em nota, o PT afirmou que trabalha com a perspectiva da candidatura da governadora ao Legislativo por conta da “defesa dos interesses do Rio Grande do Norte; do compromisso com a estabilidade democrática, diante da ofensiva da extrema direita para conquistar maioria no Senado; e do apoio ao projeto nacional de desenvolvimento liderado pelo presidente Lula”.

“Estamos realizando todos os diálogos necessários com as forças políticas comprometidas com o Rio Grande do Norte para vencer essa disputa, com muita unidade interna e certos de que o Estado não pode ter sua estabilidade comprometida e precisa seguir com as políticas públicas e as obras que estão em andamento”, diz a sigla.