Poder e Governo

Saída de Gleisi Hoffmann para o Senado abre disputa e deve provocar saída de outros 21 ministros do governo Lula

Avaliação no PT é que uma chapa no Paraná com o deputado estadual Requião Filho como nome ao governo 'passa a ser muito competitiva'

Agência O Globo - 21/01/2026
Saída de Gleisi Hoffmann para o Senado abre disputa e deve provocar saída de outros 21 ministros do governo Lula
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A ministra Gleisi Hoffmann, responsável pela Secretaria de Relações Institucionais, aceitou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná, segundo fontes ouvidas pelo jornal O Globo. A assessoria da ministra não se manifestou oficialmente até o momento. Além de Gleisi, outros 21 ministros do governo federal devem deixar seus cargos até abril para concorrer nas eleições de outubro.

Definição de candidaturas

A reunião entre Gleisi e Lula ocorreu na última quarta-feira. Aliados afirmam que a ministra aceitou o desafio no mesmo dia e está motivada com a candidatura ao Senado. Inicialmente, Gleisi pretendia disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, considerada uma eleição mais acessível devido ao maior número de cadeiras em disputa.

— A estratégia do PT é colocar seus principais quadros também na disputa legislativa. O presidente entende que, para polarizar a disputa no Paraná, é necessário um nome forte. Estamos todos unidos. Gleisi está entusiasmada — afirma o deputado federal Jilmar Tato.

No PT, a avaliação é que uma chapa formada por Requião Filho (PDT) para o governo estadual e Gleisi ao Senado torna a disputa altamente competitiva. Dirigentes do partido acreditam que essa composição pode ocupar o governador Ratinho Júnior (PSD), possível adversário de Lula em 2026, com o cenário eleitoral local.

Alianças e movimentações

O apoio do PT à candidatura de Requião Filho foi anunciado no mês passado, visando construir uma frente contra o senador Sergio Moro (União), líder nas pesquisas, e Ratinho Júnior, que deve indicar seu sucessor.

A articulação envolve também Enio Verri (PT), presidente da Itaipu Binacional e aliado de Gleisi. Verri chegou a ser cogitado para disputar o governo estadual ou o Senado, mas deve concorrer à Câmara dos Deputados.

A composição marca a retomada do diálogo entre Requião Filho e o PT. No início do ano, Requião deixou o partido, após autorização do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), alegando divergências com a direção nacional. Ao ingressar no PDT, assumiu a presidência estadual e passou a ser cotado para o governo, inicialmente dividindo a atenção da esquerda com Enio Verri.

Em setembro, após Requião ter sido excluído de uma pesquisa eleitoral da Genial/Quaest — que avaliou apenas o nome de Verri —, o PDT enviou ofício ao instituto, alegando distorção no cenário eleitoral. Superado o impasse, PT e PDT decidiram formar uma aliança contra o lavajatismo, o bolsonarismo e o chamado 'ratinhismo', segundo o deputado estadual Arilson Chiorato (PT), líder da oposição na Assembleia Legislativa.

Cenário da oposição

Enquanto isso, Sergio Moro tenta viabilizar sua pré-candidatura, mesmo após o PP, federado ao União Brasil, anunciar que não apoiará seu nome ao governo estadual. Com indefinição partidária para 2026, partidos como PRTB e Missão — ligado ao MBL — tentam atrair o ex-juiz.

Paralelamente, Ratinho Júnior deverá escolher seu sucessor para a disputa estadual. Entre os cotados estão Guto Silva, secretário das Cidades (preferido pela proximidade com o governador), Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, e Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba, todos do PSD e já sondados por outras legendas.