Poder e Governo
MST confirma presença de Lula e Janja em encontro nacional com ato de apoio à Venezuela
Movimento destaca que evento simboliza alinhamento político diante do cenário nacional e internacional
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) confirmou a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, no 14º Encontro Nacional do movimento, realizado em Salvador. A presença do casal está prevista para a sexta-feira, quando será promovido um ato de solidariedade à Venezuela, com a participação de um representante da embaixada do país, em resposta ao recente ataque dos Estados Unidos à nação venezuelana. Procurada, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) do Planalto não confirmou oficialmente a agenda de Lula para a data.
Segundo o MST, Lula e Janja participarão do ato político de encerramento do encontro, iniciado na última segunda-feira no Parque de Exposições Agropecuárias da capital baiana, com programação até sexta. O movimento ressalta que a reunião "marca um momento de alinhamento político frente à conjuntura atual do país e do mundo, forjando estratégias de luta para responder às necessidades da base social organizada e contribuir para a transformação da sociedade brasileira".
A participação do presidente ocorre após o MST divulgar, em julho, uma carta criticando o ritmo da reforma agrária no atual governo. "Após quase três anos de governo Lula, a reforma agrária continua paralisada e as famílias acampadas e assentadas se perguntam: Lula, cadê a reforma agrária?", dizia o texto. Dias depois, Lula recebeu a direção do movimento no Palácio do Planalto.
No mês seguinte, o governo federal promoveu duas entregas de títulos de regularização fundiária em uma semana, totalizando 751 documentos.
Ataque à Venezuela
O relacionamento entre a esquerda brasileira e o governo venezuelano, explorado pela oposição nas últimas semanas, passou por alinhamento até 2023, o que gerou críticas de adversários em eleições recentes. No entanto, houve distanciamento nos últimos meses. No terceiro mandato de Lula, um episódio marcou essa mudança: após receber Nicolás Maduro no Palácio do Planalto, o presidente brasileiro não reconheceu o resultado da última eleição venezuelana, realizada em julho de 2024 sob suspeitas de fraude.
Por outro lado, Lula tem criticado publicamente as ações dos Estados Unidos contra a Venezuela. Em artigo publicado neste domingo pelo jornal americano The New York Times, o presidente defendeu que o futuro do país "deve permanecer nas mãos de seu povo". Lula ressaltou que essa é uma condição essencial para que milhões de venezuelanos possam decidir seu destino. O presidente reforçou ainda que o Brasil continuará colaborando com o governo e o povo venezuelanos para proteger os mais de 2.100 quilômetros de fronteira compartilhada e aprofundar a cooperação bilateral.
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