Poder e Governo

Governo prepara calendário de viagens para novo ministro da Justiça para dar visibilidade à segurança em ano eleitoral

Planalto tentará armar uma artilharia que possa contrapor a narrativa da direita de que a gestão petista se omite em relação ao tema

Agência O Globo - 20/01/2026
Governo prepara calendário de viagens para novo ministro da Justiça para dar visibilidade à segurança em ano eleitoral
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça preparam um calendário de viagens pelo país para que o novo ministro Wellington César Lima e Silva dê visibilidade a pauta da segurança pública em ano eleitoral. A estratégia vem sendo desenhada desde o dia em que Lima e Silva foi escolhido para substituir Ricardo Lewandowski e contemplará um roteiro de entregas que mostrem exemplos de integração com estados, uso da inteligência entre polícias e demais órgãos de Estado e ações que mirem o combate do crime organizado.

A segurança pública deve ser um dos principais temas a serem explorados nas eleições deste ano. A esquerda, tradicionalmente, derrapa na área, e a oposição buscará usar isso para desgastar o presidente Lula.

O Planalto tentará armar uma artilharia que possa contrapor a narrativa da direita de que a gestão petista se omite em relação ao assunto. O governo aposta no discurso do combate ao crime organizado com inteligência e integração nas diferentes esferas e buscará reforçar a retórica do “andar de cima”, que mira as cabeças financeiras do crime organizado.

Lima e Silva prepara um primeiro ciclo de viagens que terá aval do Planalto e ocorrerá em cidades estratégicas onde poderão de explorar exemplos ações do governo federal. Cada movimento do novo titular do MJ, no entanto, ocorrerá com aval do núcleo mais próximo de Lula.

Na arrancada dos trabalhos no MJ, o ministro tem trabalhado em sintonia com auxiliares palacianos, entre os quais o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior. O advogado-Geral da União, Jorge Messias, e indicado por Lula a Supremo Tribunal Federal (STF) também tem dado apoio ao novo ministro nessa fase inicial.

De acordo com um governista com trânsito no Planalto, a expectativa é que Lima e Silva se torne o porta-voz do governo nesse assunto, até mesmo como uma estratégia de blindar o presidente.

Em sua primeira fala pública, no entanto, o ministro cometeu um deslize. Para jornalistas, afirmou que a crise do Banco Master foi “eixo” de uma reunião com a presença de autoridades do Executivo e do Supremo, além do próprio Lula. Diante da repercussão, a Secom teve de contradizer o ministro publicamente. O episódio mostrou, segundo integrantes do governo, que o ministro precisa trabalhar a sua fala e passar por seções de treinamento.

Lima e Silva assumiu o cargo na semana passada com a missão de Lula em dar prioridade à segurança pública e, sobretudo, o combate às facções criminosas. Além disso, deverá negociar o andamento de matérias do governo no Congresso sobre o tema, a exemplo da PEC de Segurança Pública e do PL antifacção.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou em publicação nas redes sociais na semana passada que o novo ministro terá de “percorrer o país, reforçar a coordenação federativa e imprimir força e direção à política de segurança, combinando inteligência, eficiência investigativa e presença institucional”.

Enquanto prepara a linha de atuação que terá na pasta, Lima e Silva tem feito as últimas conversas com secretários. Das oito pastas do ministério, o novo titular do MJ pretende trocar ao menos quatro. Entre as quais secretaria-executiva, de Segurança Pública, de Assuntos Legislativos e uma quarta a ser definida.

Outro desafio imediato do ministro será iniciar sua aproximação com o Congresso. Lima e Silva quer ter agendas com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) já no primeiro dia de trabalhos legislativos em 2026.

Lima e Silva terá a missão de retomar as discussões da PEC da Segurança, que dá mais poder ao governo federal na gestão da segurança pública. No Congresso desde abril do ano passado, o texto sofreu mudanças do relator, o deputado federal Mendonça Filho (União-PE), que desagradam o governo e põe em risco a própria continuidade da tramitação.

Mendonça Filho, no entanto, elogiou o novo ministro da Justiça afirmou que o diálogo entre o Congresso e o Executivo deve ser retomado nos próximos dias. Segundo o parlamentar, dois interlocutores do ministro já o procuraram, e a expectativa é de uma reunião ainda nesta semana.