Poder e Governo

PT articula candidatura própria a 'governo-tampão' no RN após rompimento com vice e fortalecimento do bolsonarismo

Saída de Walter Alves atrapalha os planos de sucessão da governadora Fátima Bezerra, que paneja renunciar ao mandato para disputar o Senado pelo Rio Grande do Norte

Agência O Globo - 20/01/2026
PT articula candidatura própria a 'governo-tampão' no RN após rompimento com vice e fortalecimento do bolsonarismo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio Grande do Norte articula uma candidatura própria ao “governo-tampão” na Assembleia Legislativa como . A saída do emedebista atrapalha os planos de sucessão da governadora petista Fátima Bezerra, cujo desejo é renunciar ao mandato para disputar uma cadeira no Senado. A Constituição prevê que, neste cenário de vácuo na posição, cabe à Casa realizar uma eleição indireta para escolher um governador que permanecerá no cargo até janeiro.

Atacado por Paes:

Entenda:

O anúncio de Alves ocorreu na segunda-feira, quando também declarou que irá concorrer a deputado estadual em outubro e apoiar uma chapa de oposição ao PT. Para disputar qualquer posição pública, tanto Bezerra quanto o vice devem deixar o Executivo estadual.

Bezerra apoia o secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT), como sucessor no pleito de outubro. Xavier também é cotado para ser o nome da sigla na eleição indireta na Assembleia, assim como o deputado estadual Francisco do PT.

— A saída de Walter Alves foi uma surpresa para o PT. Não contávamos com essa possibilidade. Agora, estamos buscando diálogo com a bancada de esquerda e com o presidente da Assembleia. Estamos sendo procurados por partidos de outros campos políticos também — afirma Samanda Alves, presidente do PT do Rio Grande do Norte.

A possibilidade de escolha da Assembleia por um nome de oposição para o possível “governo-tampão” é vista com preocupação pelo entorno da governadora. O nome escolhido pelos deputados ficaria no posto de governador durante o período de campanha eleitoral, um período visto como estratégico para o fortalecimento de candidaturas ao Executivo estadual.

O que pesa contra Bezerra é a capilaridade do PL na Casa — sigla que deve responder por um terço dos votos no período da eleição indireta. O cenário dificultaria a vitória de um nome apoiado por ela no estado, que é o berço eleitoral do líder da oposição, Rogério Marinho (PL). O bolsonarista está entre os nomes cotados para a disputa de outubro pelo governo estadual.

A base governista na Assembleia, composta de PT e PV, ocupa seis cadeiras, mesma quantidade do PL. Há, no entanto, a expectativa de que a bancada bolsonarista cresça com a janela partidária e se torne a maior da Casa. Já a coligação União Brasil e PP tem três cadeiras, enquanto o PSDB ocupa seis.

Em nota divulgada na segunda-feira, Alves afirma que cientificou a governadora de que a posição do MDB no Rio Grande do Norte é “de caminhar com os partidos Federação União Progressista (União Brasil e PP) e PSD”. Ele afirma que a decisão de apoiar uma chapa de oposição foi tomada após consulta aos correligionários.

Por outro lado, o vice-governador diz que ratificou o posicionamento de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, e com o presidente nacional do PT, Edinho Silva.

'Governo-tampão'

Uma situação semelhante ocorre no Rio de Janeiro. Com a provável renúncia do governador Cláudio Castro (PL) para disputar o Senado, deve haver uma disputa na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) pelo "governo-tampão".

O pleito indireto ocorreria pelo fato de o Rio estar desde maio sem um vice-governador, após Thiago Pampolha optar por renunciar o cargo para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Já o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar — que seria o segundo na sucessão — foi preso neste mês pela Polícia Federal (PF). Ele é suspeito de vazar dados sobre uma operação dos agentes contra o deputado estadual Tiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias.

Bacellar foi posteriormente solto, mas permanece afastado do cargo enquanto durarem as investigações e teve o uso de tornozeleira eletrônica determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Aliados de Castro entendem que o novo presidente da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), não poderia assumir o governo por ser interino.