Poder e Governo

Aliado de Lula hoje, Paes já teve trajetória marcada por distanciamento do PT

Prefeito do Rio mantém relação tensa com o PT às vésperas da terceira disputa pelo Palácio Guanabara

Agência O Globo - 20/01/2026
Aliado de Lula hoje, Paes já teve trajetória marcada por distanciamento do PT
Eduardo Paes ao lado do presidente Lula - Foto: Reprodução / Instagram

Na primeira vez em que disputou o governo do Rio, em 2006, Eduardo Paes terminou em quinto lugar. Na época, era considerado azarão, tendo como principal trunfo sua atuação na CPI dos Correios, na Câmara dos Deputados. Em 2018, em sua segunda tentativa, entrou como favorito, mas foi surpreendido por Wilson Witzel, então um ex-juiz pouco conhecido. Apesar dos resultados distintos, as duas campanhas tiveram algo em comum: o desalinhamento com o PT, partido com o qual Paes mantém uma relação tensa às vésperas de sua terceira candidatura.

Distanciamento histórico

Duas décadas atrás, Paes se apresentava como opositor declarado ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Naquela eleição, o PT lançou Vladimir Palmeira como candidato ao governo do estado.

Após a campanha, Paes assumiu a Secretaria do Governo de Sérgio Cabral, que o indicou à prefeitura do Rio em 2008. Para conquistar o apoio de Lula, Paes precisou pedir desculpas públicas por ter chamado o petista de "chefe da quadrilha" no escândalo do mensalão e por tentar incluir o empresário Fábio Luís, o Lulinha, filho de Lula, entre os investigados no relatório final da CPI dos Correios.

Dez anos depois, em 2018, no auge da Operação Lava-Jato, Paes novamente evitou aproximação com o PT durante a campanha ao governo estadual. O partido de Lula, então preso, lançou a filósofa Márcia Tiburi como candidata. Sem buscar apoio petista, Paes preferiu fazer gestos ao presidenciável Jair Bolsonaro, a quem chegou a classificar como "pessoa muito equilibrada e de muito diálogo" durante a campanha.

Os acenos de Paes a Bolsonaro aumentaram conforme o então deputado despontava como favorito à Presidência. No entanto, a onda bolsonarista favoreceu Witzel, adversário de Paes, que se mostrou mais eficiente em se associar ao candidato. A derrota em 2018 tornou Paes mais cauteloso quanto ao favoritismo para 2026 — o que explica seu esforço inédito para se aproximar do PT neste ano.