Poder e Governo

Atacado por Paes, petista critica ‘fala nervosinha’ e diz que prefeito dá indicativos de que ficará neutro na eleição nacional

Prefeito associou André Ceciliano a Rodrigo Bacellar e disse que fez alerta a Lula

Agência O Globo - 19/01/2026
Atacado por Paes, petista critica ‘fala nervosinha’ e diz que prefeito dá indicativos de que ficará neutro na eleição nacional
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes - Foto: Reprodução

Alvo do prefeito do Rio, (PSD), o secretário de assuntos legislativos do Palácio do Planalto, (PT), rebateu as declarações e as classificou como uma “fala nervosinha”. Paes disse que Ceciliano estaria construindo uma candidatura para a eleição indireta que o Rio deve ter perto do meio do ano, depois que Cláudio Castro (PL) se desincompatibilizar para disputar o Senado, e que o nome dele representa “a mesma coisa” que o ex-presidente da Assembleia Legislativa Rodrigo Bacellar (União), preso e afastado do cargo.

Contra Ceciliano:

2026:

— Em nenhum momento coloquei meu nome como candidato a coisa alguma em 2026, a não ser a deputado estadual, mas percebo na fala nervosinha do prefeito que ele está dando uma importância a mim maior do que eu imaginava, e isso me deixa sinceramente lisonjeado — afirmou Ceciliano. — Tenho sido procurado por deputados de diferentes matizes ideológicas sobre a possibilidade de disputar essa eleição indireta, mas já disse que esse projeto só fará sentido se, de alguma forma, isso vier a contribuir para a reeleição do presidente Lula no Rio, que precisa de um palanque no estado berço do bolsonarismo.

Segundo o secretário do Planalto, que presidiu a Assembleia antes de Bacellar, Paes e o entorno dele “já deram todos os indicativos que pretendem se manter neutros em relação à eleição presidencial e já estão se aliando a nomes do bolsonarismo no estado, como o pastor Silas Malafaia e o governador Cláudio Castro”.

— É chegada a hora de o prefeito se manifestar publicamente se será, de fato, um aliado do presidente nas eleições deste ano ou agirá de acordo com a sua fama de político que só pensa em si, sem palavra e que não tem gratidão por aqueles que um dia o ajudaram quando ele mais precisou — alegou.

Ao admitir nesta segunda-feira que será candidato a governador, Paes reiterou apoio a Lula, mas deixou claro que não pretende nacionalizar a campanha. Depois, aproveitou para abordar o caso Ceciliano:

— O padrinho da candidatura do André Ceciliano é o Bacellar. Ceciliano e Bacellar são a mesma coisa. E não serei refém do mesmo grupo do qual o governador Cláudio Castro é refém — disse o prefeito ao GLOBO.

Eleição indireta

O Rio está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha foi para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). A Assembleia Legislativa, portanto, precisará eleger alguém para comandar o Palácio Guanabara até o fim do ano, já que Castro tende a se desincompatibilizar no início de abril. A votação indireta ocorreria perto do meio do ano.

Bacellar foi preso e afastado do comando da Alerj por supostamente ter vazado ao deputado TH Joias a investigação que apura o elo dele com o Comando Vermelho.

— Se Bacellar estiver patrocinando alguma candidatura para essas práticas de conexão com o crime, com o Comando Vermelho, continuarem no estado, não vai ter o apoio do PSD. Quem votar em candidatura patrocinada pelo deputado Bacellar será expulso do partido — garantiu. — É o que me parece do que se especula da candidatura do André Ceciliano, que aliás era o único nome do PT que não tinha declarado voto em mim, e sim no deputado Bacellar para governador. A candidatura dele, para mim, significa a continuidade do Bacellar.

Segundo o prefeito, esse recado foi passado a Lula numa conversa que eles tiveram na semana passada.

— Falei isso ao presidente Lula, que tem que tomar muito cuidado. Como é uma candidatura patrocinada pelo deputado Bacellar, ligado ao Comando Vermelho, o presidente Lula e o PT têm que tomar muito cuidado para não parecer que estão prometendo proteger deputados.

Paes disse que não será candidato na eleição indireta. Seu foco está em outubro.

Para a disputa na Assembleia, o que se comenta na política do Rio é que há um acordo entre ele e Castro para que o secretário estadual de Casa Civil, Nicola Miccione (PL), seja eleito e não se envolva na disputa direta, em outubro. Ceciliano, por sua vez, viraria um candidato natural à reeleição se vencesse a eleição indireta.