Poder e Governo

Articulação de parlamentares viabilizou encontro entre Michelle Bolsonaro e Moraes

Ex-primeira-dama foi recebida pelo ministro na última quinta-feira

Agência O Globo - 19/01/2026
Articulação de parlamentares viabilizou encontro entre Michelle Bolsonaro e Moraes
Michelle Bolsonaro - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A reunião entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), realizada na última quinta-feira, foi resultado de articulação feita na véspera por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido para o encontro foi levado ao magistrado por parlamentares próximos ao ex-presidente.

Segundo relatos obtidos pelo jornal O Globo, o deputado Altineu Côrtes (PL-RJ) e o senador Bruno Bonetti (PL-RJ) lideraram as negociações para viabilizar a audiência de Michelle com Moraes. Altineu, que mantém diálogo com o ministro, aproveitou uma audiência sobre visitas a Bolsonaro na Polícia Federal para apresentar a solicitação da ex-primeira-dama.

Antes da reunião, o parlamentar informou a Michelle que teria um encontro com Moraes. Diante disso, ela pediu que fosse tentada uma audiência direta com o relator do processo.

Após a conversa, os parlamentares formalizaram o pedido ao ministro. Moraes concordou em receber Michelle no dia seguinte, às 9h, mas exigiu que a solicitação fosse feita por meio dos canais oficiais. Um e-mail foi então enviado ao gabinete do ministro, garantindo a realização do encontro sem intermediações informais.

Essa formalização foi determinante para o encontro entre Michelle e Moraes, que ocorreu poucas horas antes de o ministro decidir pela transferência de Jair Bolsonaro da sala na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”.

Durante a reunião, Michelle fez um apelo centrado na condição de saúde do marido, relatando episódios de crises de soluço durante a noite e destacando que Bolsonaro estava em uma cela pequena, em condições que, segundo ela, agravavam seu quadro clínico.

A ex-primeira-dama também mencionou uma queda sofrida por Bolsonaro na semana anterior, afirmando que o atendimento médico só foi prestado horas depois.

Exames médicos constataram lesões em partes moles, sem danos intracranianos. O médico Brasil Ramos Caiado, responsável pelo acompanhamento do ex-presidente, declarou que a lesão não inspirava maiores preocupações. Por outro lado, a transferência para a Papudinha possibilita acompanhamento médico 24 horas.

Além da audiência com Moraes, Michelle buscou interlocução com outros ministros do STF. Ela se reuniu com Gilmar Mendes e solicitou apoio para reforçar o pedido de concessão de prisão domiciliar para Bolsonaro.

Nos bastidores, aliados de Bolsonaro tentam apresentar a transferência para a “Papudinha” como um avanço político, atribuindo o resultado à atuação de Michelle e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), junto ao Supremo.

No entanto, a mudança ficou aquém das expectativas do entorno do ex-presidente, que ainda busca a concessão da prisão domiciliar. Mesmo assim, aliados passaram a tratar a transferência como um “primeiro passo” para uma possível reavaliação do regime de custódia.