Poder e Governo

Renúncia de vice e bolsonarismo na Assembleia atrapalham plano de sucessão de governadora petista no Rio Grande do Norte

Fátima Bezerra deseja emplacar o secretário da Fazenda, Cadu Xavier, na corrida pelo Executivo estadual, mas eleição indireta para 'governo tampão' traz dificuldade

Agência O Globo - 19/01/2026
Renúncia de vice e bolsonarismo na Assembleia atrapalham plano de sucessão de governadora petista no Rio Grande do Norte
Walter Alves (MDB) - Foto: Reprodução / Instagram

A sucessão no governo do Rio Grande do Norte ganhou novos obstáculos após o vice-governador Walter Alves (MDB) comunicar, nesta segunda-feira, à governadora Fátima Bezerra (PT) que não assumirá o Executivo estadual em abril, quando ela deixará o cargo para disputar uma vaga no Senado. Alves, que planeja concorrer a deputado estadual, inviabiliza o plano de transição desejado por Bezerra, já que, segundo a Constituição, caberá à Assembleia Legislativa realizar uma eleição indireta para definir o chamado governador-tampão.

Fátima Bezerra apoia o secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT), como seu sucessor. No entanto, a possibilidade de a Assembleia escolher um nome de oposição para o mandato-tampão preocupa aliados da governadora.

Em nota divulgada nesta terça-feira, Walter Alves afirmou que comunicou à governadora a decisão do MDB estadual de apoiar a Federação União Progressista (União Brasil e PP) e o PSD. Segundo ele, a escolha de caminhar com a chapa de oposição foi tomada após consulta aos correligionários.

Apesar disso, Alves declarou que reafirmou o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em conversas com o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, e com o presidente nacional do PT, Edinho Silva.

Com a eleição indireta na Assembleia, o cenário da disputa pelo governo estadual permanece indefinido. Um dos principais desafios para Bezerra é a forte presença do PL na Casa, partido que deve deter cerca de um terço dos votos após a saída da governadora. Isso dificulta a eleição de um nome apoiado por ela, especialmente em um estado que é reduto eleitoral do líder da oposição, Rogério Marinho (PL).

Atualmente, a base governista na Assembleia, formada por PT e PV, possui seis cadeiras, mesmo número do PL. Existe, porém, a expectativa de que a bancada bolsonarista cresça com a janela partidária, tornando-se a maior da Casa. Já a coligação União Brasil e PP conta com três cadeiras, enquanto o PSDB ocupa outras seis.