Poder e Governo

Diante de candidatura de Ciro Gomes, Camilo Santana anuncia possível saída do MEC para atuar em campanha no Ceará

Ministro avalia deixar a Educação para reforçar campanha à reeleição de Elmano de Freitas (PT); aliados cogitam liderança de Camilo caso a vitória petista seja ameaçada

Agência O Globo - 19/01/2026
Diante de candidatura de Ciro Gomes, Camilo Santana anuncia possível saída do MEC para atuar em campanha no Ceará
Ministro Camilo Santana - Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou nesta segunda-feira que deve deixar o comando do MEC para se dedicar à campanha eleitoral deste ano no Ceará. Camilo destacou que tem até março para tomar a decisão, mas ressaltou que o cargo de ministro o mantém distante do estado que governou por dois mandatos e pelo qual foi eleito senador em 2022:

— Poderei voltar (ao cargo de senador) para me dedicar porque vocês sabem que o papel de ministro é no Brasil inteiro, muitas vezes fica ausente no nosso estado e eu vou me dedicar muito para que não haja retrocesso no Brasil e no Ceará — afirmou Camilo em conversa com jornalistas no Ministério da Educação.

O ministro declarou que irá se empenhar na campanha à reeleição de Elmano de Freitas (PT) e do presidente Lula. No entanto, aliados consideram que Camilo pode assumir protagonismo na chapa caso a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ameace a permanência do PT no governo estadual. Para o PT e para o entorno de Lula, é essencial manter o comando do Ceará, terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste e reduto político do presidente.

— Essa decisão que temos até março para tomar, quero dizer aqui claramente que meu candidato, que vou trabalhar será Elmano de Freitas, ser reeleito governador do Ceará e o presidente Lula ser reeleito — reforçou Camilo Santana.

Camilo é considerado um cabo eleitoral estratégico no Ceará. Durante a campanha municipal de 2024, ele tirou duas semanas de férias para apoiar Evandro Leitão (PT) na disputa pela prefeitura de Fortaleza.

— Qualquer saída do ministério será para me dedicar à reeleição de Elmano e do presidente Lula. Temos uma grande equipe no MEC. O ministério está funcionando bem — garantiu o ministro. — Não tenho dúvida de que minha saída ou não jamais vai afetar o andamento das ações do MEC.