Poder e Governo
Paes admite pré-campanha e confirma intenção de disputar o governo do Rio em 2026
Prefeito fez declaração durante visita a Santo Antônio de Pádua, no Noroeste Fluminense
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), confirmou publicamente que está em pré-campanha para o governo estadual, durante agenda em Santo Antônio de Pádua, no Noroeste Fluminense, nesta sexta-feira. Cotado para concorrer ao Palácio Guanabara, Paes já havia negado durante o pleito de 2024 a possibilidade de deixar o comando da cidade antes do fim do mandato, previsto para 2028.
“Não estou fazendo trabalho de visitar cidades do interior. Eu estou fazendo pré-campanha, porque quero os votos para governador e quero o apoio do Paulinho. Pronto, falei”, declarou Paes, de forma descontraída, ao lado do prefeito Paulinho da Refrigeração (MDB).
O vídeo com a declaração foi divulgado pelo perfil “nabocadopovorj” e repercutiu nas redes sociais. Durante a passagem pelo Norte-Noroeste fluminense, Paes visitou cinco municípios e participou de encontros com autoridades e empresários. O prefeito busca ampliar apoios em regiões onde enfrenta maior fragilidade eleitoral, como a Baixada Fluminense e o interior do estado.
Possível saída da prefeitura
Paes admitiu pela primeira vez, em outubro, que pode deixar a prefeitura antes do término do mandato. Caso decida concorrer ao governo estadual em 2026, ele terá até o início de abril para renunciar ao cargo. Nesse cenário, o vice-prefeito Eduardo Cavaliere, de 31 anos, assumiria a prefeitura, tornando-se o prefeito mais jovem da história do Rio de Janeiro.
Encontro com Lula
A newsletter "Jogo Político", do editor Thiago Prado, revelou que Paes esteve em Brasília na semana passada para um encontro reservado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A visita ganhou urgência após André Ceciliano cogitar candidatura ao mandato-tampão que poderá ser aberto no Rio caso o governador Cláudio Castro (PL) renuncie em abril para disputar o Senado.
Na conversa, realizada fora da agenda oficial, Paes comunicou a Lula sua intenção de deixar a prefeitura em 20 de março para disputar a eleição ao Palácio Guanabara.
Segundo a newsletter, desde o segundo semestre do ano passado, Gleisi Hoffmann (ministra das Relações Institucionais), Lindbergh Farias (líder do PT na Câmara) e André Ceciliano (secretário de Assuntos Parlamentares) vêm pressionando o Planalto diante das aproximações públicas de Paes com o bolsonarismo.
Entre os episódios considerados desleais pelos petistas, estão o apoio de Paes ao pastor Silas Malafaia, aliado de Jair Bolsonaro, após a Polícia Federal tornar Malafaia investigado em setembro. “Mexeu com Silas, mexeu comigo”, afirmou o prefeito em um culto religioso.
Outro ponto de tensão ocorreu em dezembro, quando Eduardo Cavaliere, vice de Paes, classificou como ‘lero-lero’ a visão do PT e de Lula para a área de segurança, durante entrevista ao GLOBO após operação policial no Complexo do Alemão que resultou em 121 mortes.
Até então, as movimentações de Paes não haviam provocado maiores consequências no PT, apenas críticas pontuais de figuras como Marcelo Freixo, presidente da Embratur, e do ex-ministro José Dirceu.
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