Poder e Governo

Flávio Bolsonaro prega união de presidenciáveis da direita e diz que palanque conjunto 'vai acontecer no momento certo'

Declaração ocorre dois dias após a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Papudinha

Agência O Globo - 17/01/2026
Flávio Bolsonaro prega união de presidenciáveis da direita e diz que palanque conjunto 'vai acontecer no momento certo'
Flávio Bolsonaro - Foto: © Foto / Lula Marques / Agência Brasil

Dois dias após a transferência do ex-presidente (PL) para a Papudinha, o senador e pré-candidato ao Planalto (PL-RJ) afirmou neste sábado que uma união da direita em um mesmo palanque contra o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) ocorrerá “no tempo certo”. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar também criticou a prisão do pai e o governo petista.

PDT deseja filiar Marina Silva:

Entenda:

O senador defendeu um palanque presidencial liderado por ele e com a presença de familiares e lideranças da direita que se colocam como pré-candidatos ou são especulados para o Planalto. Flávio cita a ex-primeira-dama (PL) e os governadores (Republicanos-SP), Ratinho Jr. (PSD-PR), (Novo-MG) e (União-GO).

— Enquanto não é possível (a liberdade de Bolsonaro), você não gostaria de presencial o momento em que eu, Tarcísio, Michelle, Ratinho, Zema, Caiado e tantas outras lideranças de direita estivéssemos juntos, no mesmo palanque, pela mesma causa, para resgatar o Brasil das garras do governo atual? Calma, que isso vai acontecer no tempo certo — disse Flávio.

Por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Bolsonaro foi levado para o 19º Batalhão da PM-DF, onde já estão o ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques. O local ganhou o apelido de "Papudinha" por ficar ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda.

Direita fragmentada

Como mostrou o GLOBO, o . Se for mesmo definido como candidato ao Planalto, os palanques estaduais serão fortemente afetados.

Em outras frentes, o pré-candidato do PL tem acumulado reveses envolvendo aliados da direita que poderiam contribuir com seu projeto nacional.

Antes apontado por partidos do Centrão como opção presidencial, Tarcísio, por exemplo, tem dado um apoio tímido ao senador. Soma-se a isso um aceno feito por Michelle ao governador nas redes sociais e a recusa do governador de Zema em retirar sua pré-candidatura para apoiar a de Flávio e ser seu vice.

Trabalhando com o cenário em que o governador de São Paulo seria o candidato do bolsonarismo, já havia negociações para aproximar de Tarcísio até setores que hoje estão distantes da direita, como o prefeito do Rio, Eduardo Paes, do PSD, que deve ser candidato a governador.

Também havia negociações para que o PSD desse palanque para o bolsonarismo em outros estados, como Minas Gerais, com o vice-governador Matheus Simões, e no Maranhão, com Eduardo Braide. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, agora deve recalcular a rota e esses candidatos não devem dar palanque para Flávio.

A tendência é que eles não se posicionem ou que apoiem a candidatura de Ratinho em 2026. O mesmo cenário de dificuldade deve se reproduzir no União Brasil e no PP, que devem formar uma federação.

Pesquisa recente

Ainda que a mais recente Pesquisa Quaest tenha dado impulso para a pré-candidatura de Flávio, dirigentes do Centrão resistem a embarcar no projeto eleitoral

Em um cenário de primeiro turno, Lula aparece com 36% das intenções de voto, contra 23% de Flávio Bolsonaro e 9% de Tarcísio. No mesmo levantamento, em um cenário de segundo turno, o petista pontuaria 45% contra 38% de Flávio. No cenário em que a disputa é com Tarcísio, Lula teria com 44% contra 39% do governador de São Paulo.

Dirigentes partidários dizem que é cedo para medir o potencial eleitoral do senador e que ele precisará mostrar viabilidade política. Com a decisão de Jair Bolsonaro de lançar o filho, os partidos do Centrão têm avaliado diferentes caminhos e não há ainda uma decisão unificada entre eles.