Poder e Governo
Promotor, ministro-relâmpago de Dilma e assessor de Lula: a trajetória do novo ministro da Justiça
Wellington Cesar Lima e Silva foi confirmado como substituto de Ricardo Lewandowski
Wellington Cesar Lima e Silva, novo ministro da Justiça, é considerado um dos nomes de maior confiança do presidente Lula. Até agosto de 2024, exerceu a função de secretário de Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil, antes de assumir o cargo de advogado-geral da Petrobras.
Trajetória no Ministério Público
Natural da Bahia, Lima e Silva iniciou sua carreira como promotor no Ministério Público da Bahia (MP-BA), chegando ao posto de procurador-geral do Estado em 2010, nomeado pelo então governador Jaques Wagner (PT), mesmo tendo ficado em último lugar na lista tríplice. Reconduzido ao cargo em 2012, também atuou como procurador-geral adjunto.
Durante sua gestão no MP-BA, priorizou o combate ao crime organizado. É mestre em Direito Penal pela Universidade Cândido Mendes e cursou doutorado em Direito Penal e Criminologia na Universidade Pablo Olavide, na Espanha, embora não tenha apresentado a tese.
Passagem-relâmpago pelo Ministério da Justiça
Em março de 2016, Lima e Silva foi nomeado ministro da Justiça pela então presidente Dilma Rousseff, por indicação de Jaques Wagner, à época ministro-chefe da Casa Civil. O contexto era de forte instabilidade política, com Dilma enfrentando o processo de impeachment e José Eduardo Cardozo deixando o Ministério da Justiça para assumir a Advocacia-Geral da União.
Apesar da nomeação oficial em 3 de março de 2016, Lima e Silva permaneceu apenas nove dias no cargo. Uma ação movida pelo PPS (atual Cidadania) questionou no Supremo Tribunal Federal (STF) a possibilidade de acumulação do cargo de ministro com o de procurador do MP-BA. Por dez votos a um, o STF decidiu que a acumulação não era permitida, concedendo 20 dias para que ele optasse entre os cargos. Lima e Silva preferiu permanecer no Ministério Público, deixando o ministério em 14 de março daquele ano.
Atuação no governo Lula
Aposentado do Ministério Público da Bahia desde janeiro de 2023, Lima e Silva foi nomeado secretário de Assuntos Jurídicos da Presidência da República. Na função, era responsável pela redação de decretos, portarias e leis, além de despachar rotineiramente com o presidente Lula, conquistando sua confiança.
Em agosto de 2024, deixou a secretaria para assumir a advocacia-geral da Petrobras. Próximo também do ministro-chefe da Casa Civil, seu nome chegou a ser cogitado para o Supremo Tribunal Federal (STF), na vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, mas Lula optou por indicar Jorge Messias, então advogado-geral da União.
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