Poder e Governo

Sem nome de peso, Lula aposta em 'cumpridor de missões' para o Ministério da Justiça

Novo ministro da Justiça e Segurança Pública tem como principal trunfo a relação de confiança com o presidente

Agência O Globo - 13/01/2026
Sem nome de peso, Lula aposta em 'cumpridor de missões' para o Ministério da Justiça
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). - Foto: Reprodução

Diante da ausência de nomes com peso político para assumir um ministério que deve ganhar destaque durante o ano eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por um “cumpridor de missões” para liderar a pasta da Justiça e Segurança Pública.

Auxiliares próximos ao petista reconhecem que Wellington Cesar Lima e Silva não integra o primeiro escalão político, tampouco possui trajetória marcada por cargos de grande visibilidade pública ou embates políticos. Sua chegada ao ministério acontece em condições distintas das de outros nomes que já ocuparam a função durante gestões anteriores de Lula. No primeiro mandato (2003-2006), o presidente escolheu o criminalista Márcio Thomaz Bastos, referência nacional na advocacia. No segundo, Tarso Genro, que já havia chefiado outros ministérios e sido prefeito de Porto Alegre. Já neste terceiro mandato, Lula iniciou com o ex-governador do Maranhão e, posteriormente, nomeou o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal para o comando da Justiça e Segurança Pública.

O principal atributo de Wellington no novo desafio é a relação de confiança construída com Lula. Inicialmente apadrinhado por Jaques Wagner (PT-SP), líder do governo no Senado, Wellington ingressou no Planalto em janeiro de 2023 como secretário de Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil, função estratégica responsável pela análise de portarias, decretos e leis do governo. Com frequência de despachos quase diária, aproximou-se do presidente.

No primeiro semestre de 2024, durante uma crise na Petrobras — considerada estratégica por Lula —, Wellington foi designado para apoiar a nova presidente da estatal, Magda Chambriard, e solucionar questões jurídicas delicadas. O desempenho foi bem avaliado pelo presidente, a ponto de Wellington ter sido cogitado para o Supremo Tribunal Federal (STF), quando da aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro.

Com esse histórico de missões bem-sucedidas e a falta de alternativas — já que o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) recusou publicamente qualquer possibilidade de integrar o governo assim que seu nome foi ventilado para o Ministério da Justiça —, Lula se viu diante de uma aposta no então chefe do jurídico da Petrobras.

Agora, o novo ministro terá de demonstrar competência para enfrentar desafios expressivos: articular a aprovação da PEC da Segurança Pública e do projeto antifacção no Congresso, lidar com críticas da oposição e desenvolver um discurso eficaz de combate à criminalidade, que possa ser explorado por Lula na campanha pela reeleição.