Poder e Governo

Apartamento de deputado investigado pela PF fica em prédio de luxo com celebridades em Salvador

Edifício tem píer exclusivo, ancoradouro para barcos, estacionamento para motos aquáticas e teleférico até o mar, além de vista para a Baía de Todos-os-Santos

Agência O Globo - 13/01/2026
Apartamento de deputado investigado pela PF fica em prédio de luxo com celebridades em Salvador
Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira, o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) é proprietário de um apartamento em um dos endereços mais valorizados de Salvador. Um dos mandados da Operação Overclean foi cumprido no Edifício Mansão Windberger, situado no Corredor da Vitória, região que concentra um dos metros quadrados mais caros da capital baiana, conforme levantamento do portal g1.

O edifício de alto padrão oferece píer particular, ancoradouro para embarcações, estacionamento para motos aquáticas e um teleférico exclusivo que conduz os moradores diretamente ao mar, além de proporcionar vista privilegiada para a Baía de Todos-os-Santos. O valor dos apartamentos, que podem chegar a 993 m², ultrapassa R$ 55 milhões.

Entre os moradores do Mansão Windberger estão personalidades como o cantor Bell Marques e o jogador de futebol do Bahia, Everton Ribeiro.

A operação desta terça-feira investiga suspeitas de desvio de emendas parlamentares e lavagem de dinheiro. Em nota, Félix Mendonça Júnior afirmou que sua atuação “sempre se limitou” à apresentação de emendas para garantir recursos federais a municípios baianos, negando participação em qualquer negociação relacionada à execução dos repasses. O deputado ressaltou ainda que nunca indicou empresas e não exerce função de ordenador de despesas.

Investigação

A PF informou que cumpre nesta terça-feira nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além do bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas. A operação conta com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.

De acordo com a Polícia Federal, a organização criminosa investigada teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de contratos fraudulentos e obras superfaturadas. As investigações tiveram início a partir de suspeitas envolvendo emendas destinadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e avançaram para apurar supostos pagamentos de propina e tráfico de influência com o objetivo de destravar contratos públicos.

Entre os alvos está o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, apontado como operador e articulador político do esquema.