Poder e Governo
Deputado alvo de operação da PF afirma que atuação se limita a emendas e critica lentidão das investigações
Félix Mendonça Júnior teve apartamento funcional em Brasília vasculhado pela Polícia Federal nesta manhã
Alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira, durante a nona fase da Operação Overclean, o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) declarou, em nota oficial, que sua atuação na destinação de emendas parlamentares “sempre se limitou” à apresentação dos recursos para municípios baianos. Ele destacou que nunca negociou a execução, indicou empresas ou exerceu função de ordenador de despesas.
O parlamentar também criticou a “morosidade” das investigações, afirmando que processos prolongados comprometem reputações e acarretam prejuízos políticos, principalmente em ano eleitoral. “O parlamentar lamenta, entretanto, a morosidade de investigações dessa natureza, que comprometem reputações e causam prejuízos políticos, especialmente em ano eleitoral”, diz o comunicado divulgado por sua assessoria.
No texto, Félix Mendonça Júnior relatou ter recebido com “surpresa” a nova ação da PF e considerou “estranha” a diligência, já que, segundo ele, não há fatos novos que justifiquem a medida. “Passados mais de seis meses, sem que tenha sido encontrado qualquer elemento contra o deputado, a nova diligência causa estranhamento”, acrescenta a nota.
A Polícia Federal informou que cumpre, nesta terça-feira, nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além de medidas de bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas. A operação conta com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal. No caso do deputado, a diligência ocorreu em seu apartamento funcional, em Brasília.
A investigação apura suspeitas de desvio de emendas parlamentares e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de contratos fraudulentos e obras superfaturadas. O inquérito teve início a partir de suspeitas envolvendo recursos destinados ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e passou a investigar a atuação de intermediários junto a agentes públicos para destravar contratos.
Entre os alvos também está o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, apontado como operador e articulador político do esquema investigado.
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