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Operação Overclean chega à nona fase e mira parlamentares; R$ 271 milhões são bloqueados

Valor foi bloqueado pelo STF em três fases da operação, segundo informações da Polícia Federal

Agência O Globo - 13/01/2026
Operação Overclean chega à nona fase e mira parlamentares; R$ 271 milhões são bloqueados
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Operação Overclean, conduzida pela Polícia Federal, alcançou sua nona fase ampliando o cerco a políticos, empresários e operadores ligados a parlamentares, no âmbito de investigações sobre desvios de emendas parlamentares e fraudes em licitações. Segundo a PF, ao menos R$ 271,7 milhões já foram bloqueados em três etapas da investigação, que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com as apurações, a organização criminosa investigada teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de contratos fraudulentos e obras superfaturadas em diversos estados.

Em abril de 2025, a PF deflagrou uma das fases mais impactantes da operação, com mandados de busca e apreensão em Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Aracaju. Um dos principais alvos foi o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo” e ex-integrante da executiva nacional do União Brasil. Moura negou qualquer irregularidade à época da operação.

Segundo a investigação, Moura atuava como articulador político do esquema, utilizando sua influência para viabilizar contratos e liberar pagamentos. Nesta mesma etapa, o secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral, foi afastado do cargo por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do STF, sob suspeita de obstrução de Justiça. Barral, indicado ao posto em abril de 2024, era fruto de uma aliança entre PSD e União Brasil.

Durante a terceira fase da Overclean, em maio do ano passado, a PF apreendeu R$ 120,8 mil em espécie, além de relógio de luxo, joias e aparelhos eletrônicos na residência de Barral. As investigações apontaram uma relação próxima entre o secretário e Marcos Moura, que chegou a ser preso preventivamente na primeira fase da operação, em 2024, sendo solto posteriormente.

Em junho, a Polícia Federal realizou uma ofensiva voltada à liberação de emendas parlamentares. Dois prefeitos da Bahia foram afastados e um assessor do deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) foi apontado como operador financeiro do esquema, sendo alvo de mandado de busca e apreensão nesta terça-feira.

No decorrer das investigações, o nome do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA) foi citado, o que levou o caso ao STF. A PF encontrou no cofre de Marcos Moura uma escritura de compra e venda de imóvel entre uma empresa e Elmar. O deputado não foi alvo de nenhuma fase da operação e nega envolvimento em irregularidades.

Apesar disso, familiares do parlamentar foram diretamente atingidos pela investigação. Seu irmão, Elmo Nascimento, prefeito de Campo Formoso (BA), foi alvo de buscas em julho do ano passado. O primo, Francisco Manoel do Nascimento Neto, conhecido como Francisquinho Nascimento (União Brasil), vereador no município, também foi alvo da operação. Em uma das etapas, chegou a arremessar uma sacola com R$ 220 mil pela janela pouco antes de ser preso.

Em outubro do ano passado, o deputado federal Dal Barreto (União Brasil-BA) teve o celular apreendido no aeroporto de Salvador durante uma das fases da operação. No mesmo mês, a PF também mirou o secretário nacional do Podemos, Luiz França.

A Operação Overclean teve início com a apuração de desvios de recursos de emendas parlamentares destinadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e da atuação de empresários junto a agentes públicos para destravar contratos. Segundo a PF, o esquema envolvia pagamento de propina, lavagem de dinheiro e uso sistemático de influência política, com ramificações em partidos do Centrão e no círculo familiar de parlamentares.