Poder e Governo
Motta condiciona apoio à reeleição de Lula a 'gestos concretos' do presidente
Presidente da Câmara também comenta veto de Lula à dosimetria e afirma que Congresso analisará decisão
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira que aguardará “gestos concretos” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de decidir se apoiará a reeleição do petista nas eleições deste ano.
A declaração foi feita à imprensa durante evento em João Pessoa, no qual o ministro do Turismo e aliado de Motta, Gustavo Feliciano, oficializou o apoio do governo federal ao pré-carnaval da capital paraibana.
— A política se constrói com reciprocidade. Precisamos, nesse processo, compreender quais apoios e gestos receberemos para definir nosso posicionamento. Essa construção deve ser feita de forma tranquila e respeitosa com a população do nosso estado — afirmou Motta, ao ser questionado sobre um possível apoio a Lula.
Em dezembro, durante encontro com jornalistas em Brasília, Motta já havia adotado tom semelhante, afirmando que ainda era cedo para falar em endossos, mas garantiu que não ficará neutro na disputa presidencial.
Apesar de não confirmar apoio ao presidente, Motta sinalizou que o Republicanos deve se alinhar, na Paraíba, ao grupo governista liderado pelo governador João Azevêdo (PSB). Segundo ele, a prioridade é consolidar um projeto que “represente as necessidades do estado” e dê continuidade ao atual modelo administrativo, que considera aprovado pela população.
— Tudo depende do presidente e de seu partido. O que temos buscado, tanto no Republicanos quanto na aliança com o governador João Azevêdo e o vice-governador Lucas, é construir um projeto que verdadeiramente atenda às demandas do estado — destacou Motta.
Entre as prioridades da aliança, Motta citou a pré-candidatura do vice-governador Lucas Ribeiro (PP), o apoio à continuidade do projeto de João Azevêdo e a tentativa de viabilizar o nome de seu pai, o prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos), para o Senado. No entanto, a chapa governista já conta com os senadores Efraim Filho (União) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB) como possíveis concorrentes.
Veto à dosimetria
Ao ser questionado sobre o veto do presidente Lula ao projeto que altera as regras de dosimetria das penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro, Motta afirmou tratar o tema “com tranquilidade” e ressaltou que o Congresso analisará a decisão do Executivo.
— Vejo com tranquilidade. Esse tema dividiu o Brasil durante todo o ano de 2025. A proposta aprovada na Câmara foi bastante debatida e teve quase 300 votos. Agora, respeitando a prerrogativa do presidente de vetar matérias aprovadas pelo Congresso, cabe ao Legislativo analisar o veto — declarou Motta.
Na semana passada, líderes da oposição e do Centrão avaliaram que há tendência de derrubada do veto, citando a ampla votação na Câmara e a percepção de que o Planalto buscou marcar posição política em ano eleitoral. A expectativa é que o tema seja pautado em sessão do Congresso, possivelmente em fevereiro, ainda sem data definida. Interlocutores do Parlamento indicam que a decisão final caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
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