Poder e Governo
Articulação de Ceciliano para mandato-tampão provoca reação pró-Paes no PT do Rio
Partido reafirma aliança com o prefeito após movimento para petista disputar mandato-tampão no governo estadual
Uma articulação envolvendo petistas para lançar o secretário de Assuntos Parlamentares do Planalto, André Ceciliano (PT), como candidato à eleição indireta para o mandato-tampão no governo do Rio — prevista com a possível saída de Cláudio Castro (PL) do cargo — provocou reação na ala do PT fluminense mais alinhada ao prefeito Eduardo Paes (PSD). O movimento levou a direção estadual do partido, presidido por Luiz Inácio Lula da Silva, a divulgar nota reafirmando o apoio a Paes na disputa deste ano.
Reação partidária
A executiva estadual do PT, ligada ao prefeito de Maricá, Washington Quaquá, aposta na aproximação com o PSD para garantir palanque à reeleição de Lula no Rio. Nos bastidores, a avaliação é de que Ceciliano busca concorrer na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) ao mandato-tampão, visando se fortalecer para um eventual mandato completo à frente do governo estadual. A eleição indireta é cogitada porque Castro deve deixar o governo até abril para disputar vaga no Senado, e o vice-governador eleito em 2022, Thiago Pampolha, assumiu cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Em nota divulgada no sábado, o PT do Rio reafirmou a aliança com Paes, pré-candidato ao governo, e alertou que qualquer tentativa de atrapalhar essa união "joga água no moinho do bolsonarismo, fortalecendo a direita e prejudicando Lula". O partido também declarou que "não reconhece e desautoriza quaisquer manifestações individuais de filiados ou dirigentes que tentem criar obstáculos à reeleição do presidente e à política de alianças estabelecida pela direção".
A posição foi reiterada ao GLOBO pelo presidente estadual do PT, Diego Zeidan, filho de Quaquá:
— O partido não votou ou discutiu isso (a candidatura de Ceciliano) em momento algum. Trata-se de um projeto pessoal dele, mas no Rio nossa prioridade é a aliança com Eduardo Paes para garantir palanque para Lula. Nenhuma candidatura individual está acima do projeto coletivo do partido.
Procurado, Ceciliano não se manifestou. A expectativa é que o destino de sua possível candidatura seja discutido em encontro com Lula nos próximos dias.
Se decidir concorrer ao mandato-tampão, Ceciliano enfrentará a articulação em torno de Nicola Miccione, secretário da Casa Civil, nome de consenso entre Castro e Paes. Além de ser homem de confiança do governador, interessa ao prefeito não ter como adversário alguém com o poder da máquina estatal.
Crise de confiança no PSD
A movimentação de Ceciliano ocorre em meio a dúvidas sobre a postura do PSD no estado. A desconfiança aumentou após o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), em entrevista ao GLOBO, criticar a postura do PT em temas como segurança pública e questionar o "alinhamento automático" entre Paes e Lula para a eleição.
Mesmo assim, a ala do PT que defende a aliança com Paes quer evitar "o erro de 2022", quando Lula apoiou Marcelo Freixo (PSB), então deputado e hoje presidente da Embratur, que acabou derrotado por Castro no primeiro turno. Além de garantir um palanque forte para Lula, o PT busca espaço na chapa majoritária de Paes, mirando indicações para vice ou Senado.
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