Poder e Governo

Cassado, Ramagem tem 30 dias para devolver apartamento funcional da Câmara em Brasília

Residência permaneceu ativa mesmo após fuga do parlamentar aos EUA antes do fim do julgamento da trama golpista pelo STF

Agência O Globo - 19/12/2025
Cassado, Ramagem tem 30 dias para devolver apartamento funcional da Câmara em Brasília
Alexandre Ramagem - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O ex-deputado federal Delegado Ramagem (PL-RJ) terá que devolver o apartamento funcional da Câmara dos Deputados, após ter seu mandato cassado pela Mesa Diretora na última quinta-feira. O imóvel, localizado na Asa Norte, em Brasília, deve ser desocupado no prazo máximo de 30 dias.

Segundo a Câmara, "conforme determina o art. 6º, inciso II, do Ato da Mesa 5/11, o ex-deputado Delegado Ramagem terá 30 dias para desocupar o apartamento funcional, a contar do dia 18 de dezembro".

Ramagem teve o mandato cassado em decorrência da condenação no processo que apura a tentativa de golpe de Estado, após determinação do STF e decisão da Mesa da Câmara.

Dados da Câmara mostram que Ramagem passou a ocupar o imóvel funcional em 10 de março de 2023. A residência permaneceu ativa mesmo após a fuga do parlamentar para os Estados Unidos, às vésperas da conclusão do julgamento da trama golpista pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Atualmente, a Câmara dispõe de 447 imóveis funcionais destinados à moradia dos parlamentares em exercício. As unidades estão localizadas nas Asas Sul e Norte do Plano Piloto, região nobre de Brasília. Caso não haja disponibilidade, o parlamentar pode solicitar auxílio-moradia, atualmente de até R$ 4.253,00 mensais.

Sobre a cassação, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta sexta-feira que a decisão foi tomada após manifestação da maioria dos líderes partidários. Inicialmente, a votação seria no plenário, mas, após a Casa não ter atingido votos suficientes para cassar a deputada Carla Zambelli (PL-SP) na semana passada — contrariando decisão do STF —, os líderes decidiram que o caso de Ramagem não seria submetido ao plenário.

— A questão do Ramagem, que estava prevista para ir ao plenário, por decisão dos líderes e dos membros da Mesa e para evitar um novo episódio de conflito, de estresse institucional, houve uma decisão aqui capitaneada pelos líderes de que pudéssemos decidir isso pela Mesa — disse Motta, em conversa com a imprensa.