Poder e Governo
Entenda o que é a cota parlamentar, alvo de apuração que envolve Sóstenes e Jordy
Assessores de parlamentares são investigados por suspeita de desvio de recursos públicos; líder do PL não comenta, e deputado afirma ser vítima de 'perseguição'.
A Polícia Federal (PF) investiga supostos desvios de recursos públicos provenientes da cota parlamentar, benefício destinado a deputados federais para custeio de despesas do mandato. Os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ) estão entre os alvos da operação, que cumpre mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira em endereços ligados aos parlamentares, para apurar um esquema de pagamentos irregulares por meio de contratos falsos com locadoras de veículos.
Em um dos endereços vinculados a Sóstenes, em Brasília, a PF apreendeu R$ 430 mil em dinheiro vivo. Segundo as investigações, agentes políticos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para o desvio e posterior ocultação de verba pública.
O foco da apuração recai sobre a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), criada pelo Ato da Mesa 43/2009, que unificou diferentes benefícios para custear despesas como aluguel de escritório, passagens aéreas, alimentação, aluguel de veículos e combustível. O valor é disponibilizado mensalmente aos deputados, que podem utilizá-lo por reembolso ou débito direto. O saldo não utilizado pode ser acumulado apenas dentro do mesmo exercício financeiro.
De acordo com levantamento realizado no Portal da Transparência da Câmara dos Deputados, os gastos de Sóstenes com aluguel de carros em 2024 ultrapassaram R$ 137,9 mil, quase o dobro da média dos demais parlamentares, que foi de aproximadamente R$ 76,8 mil. Já Carlos Jordy declarou R$ 65,4 mil em despesas com locação de veículos, valor abaixo da média geral.
A PF aponta que o dinheiro desviado era destinado a empresas de fachada, que promoviam a lavagem dos recursos. Assessores dos deputados movimentaram milhões de reais, conforme apurado na investigação.
Nas redes sociais, Carlos Jordy afirmou ser alvo de "perseguição implacável" e de "pesca probatória". O deputado Sóstenes Cavalcante foi procurado, mas não se manifestou até o momento.
Esta não é a primeira ação da PF envolvendo os parlamentares. Há um ano, assessores dos dois já haviam sido alvo de operação, que recebeu o nome de "Rent a Car" devido ao suposto uso de empresas de locação de veículos para simular contratos e desviar recursos das cotas parlamentares.
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