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Como Abel Ferreira remontou o Palmeiras e o levou da crise à mão na taça em 42 dias

Alviverde tirou 14 pontos de diferença para o então líder Botafogo e está perto de conquistar o bicampeonato brasileiro consecutivo

Agência O Globo - 03/12/2023
Como Abel Ferreira remontou o Palmeiras e o levou da crise à mão na taça em 42 dias
Abel Ferreira - Foto: Reprodução-instagran

Eliminado da Libertadores, a 14 pontos do então líder do Brasileiro Botafogo e com protestos da torcida nos jogos como mandante. Este era o ambiente do Palmeiras na segunda quinzena de outubro. Ou seja: há pouco mais de um mês. O mesmo clube agora está a um passo de celebrar o bicampeonato consecutivo da Série A. Uma virada de página que passa, principalmente, pelas mãos de Abel Ferreira e pelos pés de Endrick. Protagonistas — um fora de campo e o outro dentro — do time que recebe o Fluminense, às 16h, no Allianz Parque.

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A possibilidade real do título palmeirense também é fruto, claro, da queda vertiginosa de rendimento do Botafogo. O clube carioca só venceu três vezes no segundo turno e viu sua liderança absoluta se desfazer. Mas há de se reconhecer os méritos do atual campeão, que renasceu na hora certa no embalo das mudanças feitas por Abel.

Para entender a atual forma de jogar do Palmeiras é preciso, primeiro, destacar as perdas que levaram Abel a mexer no time. Depois da torção no joelho direito que tirou Dudu da temporada, em agosto, foi a vez de Gabriel Menino fraturar o tornozelo, em outubro, e também dar adeus a 2023. O treinador ainda viu o rendimento de Rony e Arthur despencar jogo após jogo. Era preciso fazer algo.

E ele fez. Alterou o esquema tático e promoveu a entrada de atletas que entenderam bem o que o técnico queria. Resultado: o time conquistou 22 pontos em 27 e assumiu a liderança.

No desenho da equipe, a mudança mais visível foi, claro, a adoção dos três defensores. Em geral, Gustavo Gómez, Luan e Murilo. Na ausência de algum deles, Marco Rocha atuou improvisado. Com o recurso, Abel liberou mais Piquerez e Mayke quando o time tem a posse da bola, mas sem deixar a defesa muito exposta. E ainda oficializou a linha de cinco quando o Palmeiras é atacado.

Nem sempre deu certo. Como contra o Flamengo, a única derrota neste período. Mas, em geral, é inegável a melhora defensiva. O Palmeiras saiu de campo sem ser vazado em seis destes últimos nove jogos.

O grande salto, porém, foi na produção ofensiva. Os palmeirenses balançaram as redes adversárias 22 vezes neste período. Para se ter uma ideia, da derrota para o Atlético-MG (a última antes da arrancada atual) para trás, o time precisou de 20 partidas para marcar o mesmo número de gols.

Uma evolução que passa muito pela entrada de Endrick. O atacante de 17 anos se encontrou no novo esquema, com uma dupla ao invés de um trio. Na função de segundo atacante, ganhou liberdade e cresceu. Já marcou cinco gols desde então, sendo dois na virada por 4 a 3 sobre o Botafogo, jogo considerado um marco da arrancada alviverde.

— Assim que foi promovido, depois da Copinha de 2022, o Endrick de cara foi posto como titular. E aí o Abel tentou colocá-lo como um ponta. Só que ele não é jogador de lado, que precisa de fôlego para ir na frente e voltar para marcar. O Endrick sempre foi um segundo atacante, de movimentação, que joga atrás do centroavante — explica Leonardo Miranda, responsável pelo blog Painel Tático, do site ge.

— Neste esquema sem pontas, ele consegue jogar mais próximo da área e tem muita movimentação. Ele troca de posição com o (Raphael) Veiga e o Breno Lopes, que faz esse papel de voltar para que o Endrick possa ficar mais à frente.

As atuações de Endrick empolgaram até mesmo Carlo Ancelotti. Nesta semana, o técnico do Real Madrid, para onde o atacante irá se transferir em julho de 2024, o encheu de elogios.

— Estamos observando e encantados com ele. Sua evolução é muito, muito rápida — disse em entrevista coletiva.

Endrick não é a única entrada que fez bem ao time. Ríchard Ríos soube assumir o lugar de Gabriel Menino. Já Breno Lopes mostrou obediência tática para jogar sem a bola. Ainda que irrite a torcida com ela nos pés.

— Vocês só olham para o erro. E ele é muito mais fácil de enxergar. Agora, o esforço, a dedicação, o correr para trás, isso ninguém olha. Porque a maioria só enxerga o jogador com a bola no pé — disse o auxiliar Vitor Castanheira, que substituiu o suspenso Abel na última rodada, ao defender o atacante.

Contra o América-MG, os desfalques de Gustavo Gómez, Mayke e Luan levaram Abel a adaptar o esquema que se consolidou na reta final do Brasileiro. Mas deve contar com todos hoje e retomar a formação. Com ou sem título, o treinador mais uma vez deixa sua assinatura.