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Gatos compartilham genes do câncer com humanos e podem impulsionar pesquisas, diz estudo

Pesquisa com quase 500 felinos identificou mutações genéticas semelhantes às encontradas em tumores humanos e reforça potencial dos animais como modelo para avanços na oncologia

Agência O Globo - 30/05/2026
Gatos compartilham genes do câncer com humanos e podem impulsionar pesquisas, diz estudo
- Foto: Pexels

Os gatos domésticos podem se tornar aliados importantes no desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer em humanos. Um estudo internacional publicado no último domingo na revista científica analisou tumores de quase 500 felinos identificou semelhanças significativas entre genes associados à doença em gatos e em pessoas, abrindo caminho para pesquisas que beneficiem ambas as espécies.

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A pesquisa investigou mutações genéticas presentes em 13 tipos diferentes de tumores felinos. Os cientistas descobriram que vários dos genes responsáveis pelo desenvolvimento do câncer em gatos também desempenham papel importante em tumores humanos, incluindo casos de câncer de mama, sangue, ossos, pulmões, pele e sistema nervoso central.

Um dos achados mais relevantes envolve o gene FBXW7, conhecido por atuar como supressor tumoral. Os pesquisadores observaram alterações frequentes desse gene em tumores mamários de gatos. Em humanos, mutações no mesmo gene estão associadas a formas mais agressivas de câncer de mama e a prognósticos menos favoráveis.

O trabalho reuniu pesquisadores do Instituto Wellcome Sanger, da Faculdade de Medicina Veterinária de Ontário na Universidade de Guelph, no Canadá, da Universidade de Berna, na Suíça, e de diversas outras instituições. e contou com amostras coletadas em países como Canadá, Alemanha, Áustria, Nova Zelândia e Reino Unido. Ao todo, os cientistas analisaram cerca de mil genes felinos equivalentes a genes humanos relacionados ao câncer.

Segundo os autores, a descoberta não é totalmente inesperada. Estudos anteriores já indicavam que gatos compartilham aproximadamente 90% do material genético com os seres humanos, proporção superior à observada em cães. Além disso, os animais convivem nos mesmos ambientes que seus tutores, ficando expostos a fatores de risco semelhantes, como poluição e substâncias potencialmente cancerígenas.

Os resultados também podem ter impacto direto na medicina veterinária. Os pesquisadores identificaram indícios de que o medicamento quimioterápico vincristina pode ser eficaz contra tumores mamários em gatos, uma das formas mais comuns e letais de câncer felino. A expectativa é que a descoberta ajude a orientar futuros testes clínicos e o desenvolvimento de terapias mais específicas para os animais.

Para especialistas envolvidos no estudo, o avanço representa uma oportunidade rara de ampliar o conhecimento sobre o câncer em duas espécies ao mesmo tempo. Embora ressaltem que ainda são necessários anos de pesquisa para transformar as descobertas em tratamentos, os cientistas consideram o trabalho um passo importante para a chamada oncologia comparativa, área que investiga doenças compartilhadas entre humanos e animais.

A pesquisa analisou 493 tumores de gatos domésticos e é considerada uma das maiores já realizadas sobre genética do câncer felino. Os autores afirmam que o mapeamento pode ajudar a acelerar a compreensão dos mecanismos da doença e contribuir para o desenvolvimento de terapias mais personalizadas no futuro.