Mundo Científico
Cientistas conseguem reduzir pré-eclâmpsia em gestantes com filtragem de sangue
Com uso da aférese, pesquisadores combatem proteína ligada à hipertensão durante a gravidez
Um grupo de cientistas americanos anunciou, nesta segunda-feira (10), ter conseguido controlar a evolução da pré-eclâmpsia — doença caracterizada por hipertensão grave em gestantes — por meio da aférese, uma técnica de filtragem do sangue.
O estudo, ainda em fase inicial, contou com a participação de sete gestantes voluntárias. Os pesquisadores demonstraram que conseguiram retardar o avanço da enfermidade, que atualmente dispõe apenas de tratamentos paliativos.
Nos quadros mais graves, a pré-eclâmpsia provoca elevação significativa da pressão arterial, colocando em risco a vida da mãe e do bebê. Geralmente, a melhora só ocorre após o parto, o que leva a interrupções precoces da gestação e partos prematuros.
O objetivo do tratamento médico é evitar o agravamento para a eclâmpsia, quadro que desencadeia convulsões e aumenta os riscos para a gestante e o feto.
Durante o teste, a aplicação da aférese permitiu controlar parcialmente a doença. As voluntárias submetidas à terapia experimental conseguiram prolongar a gestação por mais do que o dobro do tempo em comparação às pacientes que receberam tratamento convencional (10 dias contra 4 dias, em média).
Embora o aumento do tempo de gestação ainda seja modesto, pode representar um avanço importante para o desenvolvimento fetal, sobretudo em mulheres que desenvolvem pré-eclâmpsia no início da gravidez.
O estudo, publicado na edição de hoje da revista Nature Medicine, detalha o desenvolvimento da terapia. O alvo foi a proteína tirosina-kinase-1 de forma FMS (sFlt-1), produzida na placenta e associada ao agravamento da pré-eclâmpsia.
Com o uso dos equipamentos de aférese, os médicos extraíram o sangue das pacientes, removeram a proteína sFlt-1 e devolveram o sangue filtrado. A remoção foi realizada com anticorpos desenvolvidos especialmente para atacar essa molécula.
"As reduções observadas na pressão arterial média após a aférese tiveram forte correlação com a diminuição da sFlt-1 em circulação", relataram os cientistas, liderados por Ravi Thadhani, do Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles (EUA). "Além disso, a remoção seletiva da sFlt-1 por aférese parece ser bem tolerada por mulheres com pré-eclâmpsia muito precoce."
Em testes pré-clínicos realizados com macacos babuínos, a técnica reduziu pela metade a concentração de sFlt-1 no sangue dos animais. Antes de ser aplicada em gestantes, a aférese foi testada em voluntárias saudáveis não grávidas para avaliar possíveis efeitos colaterais.
Somente após a confirmação da segurança, a pesquisa avançou para pacientes reais. Nos testes com as mulheres, a terapia foi aplicada em intensidade menor do que nos animais, resultando em uma redução média de 17% na concentração da proteína sFlt-1.
Apesar dos resultados promissores, os autores destacam que o estudo ainda não é conclusivo quanto à viabilidade da técnica em larga escala. O trabalho, porém, já justifica a realização de ensaios clínicos de fase I e II, com grupos maiores de voluntárias com e sem aférese.
"Embora sejam necessários ensaios clínicos controlados para determinar se essa estratégia prolonga a gravidez de forma segura e eficaz em casos de pré-eclâmpsia muito prematura, nosso estudo fornece a base necessária para abordar uma das complicações mais devastadoras da gravidez", conclui Thadhani.
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