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Cientistas realizam tomografia inédita em múmias egípcias e identificam doenças milenares

Exames de imagem avançados revelam estruturas internas preservadas, corrigem identificações equivocadas e ajudam a compreender práticas funerárias do Egito Antigo

Agência O Globo - 23/04/2026
Cientistas realizam tomografia inédita em múmias egípcias e identificam doenças milenares
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Como desvendar o interior de uma múmia sem causar danos e ainda revelar doenças de mais de dois mil anos? Esse foi o desafio enfrentado pelos cientistas, que recorreram a técnicas avançadas de imagem para examinar restos mortais do Egito Antigo, trazendo à luz detalhes detalhados sobre essas relíquias históricas.

Em abril, os pesquisadores buscaram identificar, com precisão inédita, diferentes partes de uma múmia que haviam sido interpretadas equivocadamente nas análises anteriores. Um caso curioso envolvendo um pé mumificado, antes confundido com um pássaro, mas agora corretamente classificado. A análise detalhada ainda revelou um grande fragmento ausente no dedão desse pé.

Utilizando tecnologia de digitalização de alta resolução, os exames permitiram observar estruturas internas sem comprometer a integridade dos contratos. Foram evidenciadas duas cabeças, dois membros inferiores esquerdos, um pé e uma mão. Os restos mortais datam de aproximadamente 401 a 259 aC, o que representa mais de 2.300 anos de história preservada.

Tecnologia revela doenças e diferenças entre indivíduos

De acordo com Krisztina Scheffer, museóloga-chefe do Museu de História da Medicina Semmelweis, as imagens atuais prevêem um nível de detalhamento sem precedentes. “As imagens atuais fornecem uma visão mais detalhada do que nunca e podem revelar novas descobertas cientificamente válidas sobre restos preservados por décadas”, afirmou Scheffer.

Entre as descobertas, uma das pernas evidenciadas apresentou sinais de osteoporose, doença que prejudica os ossos e pode causar fraturas graves. Outro membro inferior revelou pertencer a um indivíduo mais jovem, indicando que os fragmentos analisados ​​são de pessoas diferentes — hipóteses que serão aprofundadas em pesquisas futuras.

Os cientistas também buscam determinar se uma das mãos encontradas pertence a uma criança ou a um adulto, analisando os tamanhos e as características ósseas do fragmento.

O objetivo principal do estudo é compreender melhor as técnicas de mumificação empregadas pelos antigos egípcios, além de identificar anomalias e condições de saúde dos indivíduos preservados. Segundo Scheffer, a aplicação de tecnologias modernas abre novas possibilidades: “É possível revelar informações ocultas em descobertas milenares sem causar qualquer dano”.

A mumificação era uma prática central na cultura egípcia, associada à crença na vida após a morte. Ao preservar os corpos, os egípcios buscavam garantir a continuidade da existência no além, em uma civilização que prosperou às margens do Nilo e deixou um legado marcante de construções e conhecimentos para a humanidade.