Internacional

Vaticano condena transmissão de execução nos EUA: 'Espetacularização inaceitável'

Secretário de Estado reiterou que Igreja Católica é totalmente contrária à pena de morte

Redação ANSA 10/10/2026
Vaticano condena transmissão de execução nos EUA: 'Espetacularização inaceitável'
Nidal Malik Hasan foi condenado por massacre de Fort Hood - Foto: ANSA

O Vaticano criticou duramente, nesta sexta-feira (9), a decisão do governo dos Estados Unidos de transmitir ao vivo a execução por fuzilamento de Nidal Malik Hasan, condenado à morte pelo ataque que deixou 13 mortos e 32 feridos na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009.

Em declaração à margem de um evento dedicado a John Henry Newman, o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, afirmou que "transformar a morte em espetacularização é inaceitável".

Para o religioso, "independentemente da culpa da pessoa condenada, existem outros sistemas", e essa forma "é incompreensível".

O cardeal reiterou que a Igreja Católica é totalmente contrária à pena de morte, por considerar que a prática é incompatível com a dignidade humana e não constitui um fator de dissuasão. "A posição da Igreja é de total oposição à pena de morte", enfatizou.

Por fim, Parolin questionou a utilização desse método de execução nos dias atuais. "É realmente incompreensível por que alguém desejaria utilizar esse sistema nos dias de hoje — não sei com que finalidade", acrescentou.

Mais cedo, o presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, arcebispo Paul Stagg Coakley, já havia condenado a decisão do Departamento de Defesa dos EUA de anunciar que realizará a primeira execução pública em 90 anos, no próximo dia 3 de dezembro.

Hasan, ex-major e psiquiatra do Exército dos Estados Unidos, foi condenado por 13 homicídios premeditados e 32 tentativas de homicídio e sentenciado à morte por um tribunal militar pelo massacre contra a base militar de Fort Hood, no Texas, em 5 de novembro de 2009.

Durante as comemorações do "Dia de Colombo" na Casa Branca, o presidente dos EUA, Donald Trump, comentou a sentença do ex-militar e disse que "ele merece a pena de morte por fuzilamento".