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Italiano Umberto Pizzi, último 'paparazzo' da Dolce Vita, morre aos 87 anos

Fotógrafo imortalizou histórias de amor, como a de Elizabeth Taylor e Richard Burton

Redação ANSA 29/09/2026
Italiano Umberto Pizzi, último 'paparazzo' da Dolce Vita, morre aos 87 anos
Umberto Pizzi acumula mais de 60 anos de carreira - Foto: ANSA Brasil

O fotógrafo italiano Umberto Pizzi, considerado o último "paparazzo" da chamada "Dolce Vita" — período, nos anos 1960, em que artistas de Hollywood passavam por Roma para filmar e desfrutar da cidade —, morreu nesta terça-feira (29), aos 87 anos.

A informação foi divulgada pelo jornal italiano "Il Fatto Quotidiano", com o qual Pizzi colaborava havia mais de uma década. A causa da morte não foi revelada.

Nascido em Zagarolo, nos arredores de Roma, em 1937, Pizzi iniciou a carreira na fotografia nos anos 1960 e nunca deixou de trabalhar. Diariamente, percorria as ruas de scooter, com a câmera pendurada no pescoço, em busca de momentos capazes de revelar e registrar o imaginário coletivo.

Ao longo de sua trajetória, imortalizou os anos da "Dolce Vita" e grandes histórias de amor, como a de Elizabeth Taylor e Richard Burton. Também acompanhou os círculos do poder — incluindo a ascensão de Silvio Berlusconi na política do "Belpaese" —, além dos hábitos e costumes da sociedade italiana e, em particular, da aristocracia romana.

Pizzi também fotografou Marcello Mastroianni, Vittorio Gassman e Roberto Rossellini, que, naquele período, frequentavam a Via Veneto, rua cercada de restaurantes e grandes hotéis que se tornou ponto de encontro de atores, diretores e celebridades internacionais.

O fotógrafo também atuou como fotojornalista de guerra para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cobrindo conflitos e acontecimentos no Irã, no Iraque, na Turquia, na Síria e na Jordânia.

Nos anos 2000, colaborou com o site Dagospia, onde publicou séries de crônicas fotográficas que deram origem aos livros "Cafonal" e "Ultracafonal". Pizzi também teve fotografias publicadas em veículos italianos e internacionais, como "Time", "People Magazine" e "Sunday Express Magazine".

Com a morte de Pizzi, desaparece o último dos "paparazzi" romanos — termo inspirado no sobrenome do fotógrafo Coriolano Paparazzo, personagem de "La Dolce Vita", filme de Federico Fellini.

O presidente do Senado italiano, Ignazio La Russa, lamentou a morte do fotógrafo e destacou seu papel como testemunha da vida do país.

"Com o falecimento de Umberto Pizzi, perdemos um grande fotógrafo e um observador único, curioso e perspicaz de mais de meio século da vida italiana", declarou La Russa.

Segundo ele, Pizzi conseguiu registrar, por meio de suas lentes, não apenas personalidades da política, da cultura, do entretenimento e da alta sociedade, mas também "os momentos, as expressões e as atmosferas que definiram uma época".

"Da 'Dolce Vita' aos dias de hoje, Pizzi atravessou mudanças de costumes e gerações, deixando-nos — através de suas fotografias — um legado visual que se tornou parte da memória coletiva do nosso país", afirmou La Russa.

Por fim, o presidente do Senado também apresentou condolências à família e às pessoas que conviveram com o fotógrafo ao longo de sua extensa trajetória profissional.