Internacional
Chanceler do Uruguai vê acordo UE-Mercosul como marco 'para economia e democracia'
Mario Lubetkin elogiou tratado de livre comércio em entrevista à ANSA
O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Mario Lubetkin, declarou que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que entrará em vigor de forma provisória a partir de 1º de maio, é um marco "histórico" para a economia e a democracia dos blocos.
A declaração foi dada pelo chanceler à ANSA, em uma entrevista na qual ele busca ampliar o significado da aprovação do acordo UE-Mercosul para além de seu valor comercial.
"Em 1º de maio, para todos nós, países e cidadãos da União Europeia, países e cidadãos do Mercosul, nasce uma realidade completamente nova e diferente", afirmou Lubetkin.
Segundo o ministro uruguaio, "nunca houve um acordo tão amplo, um dia histórico para o desenvolvimento de nossas economias, mas também para nossa cooperação, inclusive em questões de democracia".
"Além da parte econômica, que é importantíssima, haverá outro capítulo dentro deste acordo que começará um pouco mais tarde, com foco na cooperação na esfera política, na cooperação em geral, nos temas de desenvolvimento e em questões democráticas", acrescentou.
Lubetkin destacou que "esta seção será aprovada em breve pelos parlamentos e transmitirá, sobretudo, uma mensagem muito importante: a de que o dia 1º de maio marcará o início de outro momento histórico", voltado não apenas para o desenvolvimento comercial, mas também "para o nascimento de uma nova e ampla comunidade democrática birregional".
"Nós, italianos e uruguaios, mas também europeus e latino-americanos, jamais devemos esquecer os laços culturais, os laços históricos que existem entre nossas duas regiões, que, sem dúvida facilitarão este novo momento que temos a sorte de vivenciar", enfatizou.
Nascido em 1959, com uma carreira de destaque na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Lubetkin retornou entusiasmado do seminário realizado em Prato sobre esses mesmos temas.
"Após tantos anos de discussão, agora é o momento de reconstruir.
Tendo visitado recentemente a Itália e participado em Prato desta conferência entre a Europa e o Mercosul, juntamente com o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, acredito que o setor privado nos deu sinais muito claros de sua disposição para começar a operar rapidamente e trabalhar em direção a uma oportunidade de mercado que nunca antes foi expressa nesta escala", afirmou.
Ele está confiante de que a resistência no setor agrícola também será superada: "Acredito que o setor agrícola italiano se beneficiará muito com este acordo. No setor alimentício, com o qual nos reunimos nos últimos dias, vimos grande espírito e entusiasmo".
Para Lubetkin, "o mesmo se aplica ao setor industrial em diversas áreas". "Voltei da Itália com a sensação de que estamos entrando nesta nova realidade, que agora começa, do ponto de vista econômico e comercial, com todas as garantias de qualidade e segurança que nossos países sempre ofereceram", ressaltou.
De acordo com o chanceler uruguaio, "a diferença é que será com impostos zero e que isso, portanto, trará maiores vantagens para todos".
Por fim, ele enfatizou o clima de confiança que acompanha este marco: "É verdade que houve muitas dúvidas, especialmente por parte da Europa, a ponto de a ratificação do Parlamento Europeu ainda não ter chegado. No entanto, o mecanismo provisório foi acionado e devemos destacar que, do lado do Mercosul, como nunca antes, conseguimos em tão pouco tempo que os quatro Parlamentos ratificassem o acordo, a começar pelo nosso próprio Uruguai".
Segundo Lubetkin, "estes são todos sinais inéditos de uma jornada que terá seus desafios, como aqueles que a União Europeia enfrentou desde a sua criação e como o processo de integração se desenvolveu". "Mas temos a sorte de poder vivenciá-los", concluiu.
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