Internacional
Ex-parlamentar que defendia a proteção de crianças é condenado a 17 anos de prisão por compartilhar vídeos de abuso sexual infantil
COLUMBIA, SC (AP) — Um ex-parlamentar republicano da Carolina do Sul foi condenado na quarta-feira a 17 anos e meio de prisão por enviar centenas de vídeos de crianças sendo abusadas sexualmente para pessoas em todo o país através das redes sociais, na mesma época em que defendia leis destinadas a proteger crianças.
“Ele alegava ser o defensor deles ao patrocinar projetos de lei no legislativo, mas era o abusador deles, com vídeos que permanecerão para sempre”, disse o juiz.
RJ May havia solicitado uma pena mais branda, alegando ser viciado em pornografia e em telas. Ele pediu desculpas brevemente às vítimas em uma declaração de 15 minutos ao tribunal. Disse que começou a assistir pornografia adulta quando os tratamentos com testosterona aumentaram seu desejo sexual e, posteriormente, passou a procurar vídeos mais extremos quando se sentia sozinho à noite.
“Durante o dia, eu falava sobre decência moral e, à noite, sucumbia à indecência moral”, disse May.
O juiz Cameron McGowan Currie o sentenciou em um tribunal federal a poucos quarteirões de onde May havia atuado na Câmara dos Representantes da Carolina do Sul.
May, de 39 anos, renunciou ao cargo antes de se declarar culpado em setembro pelo que os promotores chamaram de "onda de pornografia infantil de cinco dias" na primavera de 2024. Documentos judiciais descreveram em detalhes gráficos como ele supostamente usou o nome de usuário "joebidennnn69" para trocar 220 arquivos diferentes de bebês e crianças pequenas na rede social Kik.
Os promotores disseram que May buscava imagens de menores sendo abusados sexualmente por seus pais e revitimizava essas crianças cada vez que compartilhava esses arquivos com outras pessoas.
“Estamos falando de crianças pequenas sendo estupradas”, disse o procurador federal assistente Elliott Daniels.
As autoridades federais também encontraram vídeos de May, gravados com uma câmera em cima de sua cabeça, nos quais ele aparece abusando sexualmente de mulheres na Colômbia. Em um dos vídeos, ele aparece com as mãos em volta do pescoço de uma delas. Outra mulher está chorando. Agentes passaram um mês no exterior tentando encontrar as mulheres, que aparentavam ser menores de idade, mas não conseguiram localizá-las, disseram os promotores.
O juiz levou em consideração os vídeos ao proferir a sentença de May, que ficou dentro dos limites das diretrizes federais.
“Acreditamos que isso demonstra que RJ May era um abusador que presenciava as consequências. Acreditamos que isso demonstra sexo físico predatório e violento. Ele não é apenas um cara na tela”, disse Daniels.
Os promotores disseram que os crimes de May demonstraram ainda mais hipocrisia, já que ele votou oito vezes a favor de leis que protegiam crianças ou que endureciam as penas para quem as abusasse.
May também escreveu uma carta de desculpas ao juiz, na qual pediu uma sentença de cinco anos, salientando que nunca mais assistiria aos jogos de futebol do filho nem tomaria chá em casa com a filha. Ele disse que perdeu seu emprego de consultor político, que sua esposa está se divorciando dele, que não tem dinheiro e que os detalhes de seus crimes foram noticiados em todo o mundo.
“Levei quase 40 anos para construir uma vida da qual me orgulho. E a destruí num instante. Mas posso reconstruí-la”, disse May.
O pedido de clemência de May incluía sete cartas de familiares detalhando como ele havia superado os abusos da mãe e conseguido uma bolsa de estudos para cursar Estudos do Oriente Médio na Universidade Americana de Dubai. Seu pai prometeu que May poderia morar e trabalhar em sua fazenda na Virgínia quando fosse libertado.
Os promotores incluíram depoimentos de várias vítimas detalhando como os vídeos continuam sendo compartilhados e as assombram até a idade adulta. Uma das vítimas era criança quando foi abusada e continua recebendo centenas de notificações por ano de que seu vídeo está envolvido em novas investigações criminais.
O Kik reportou o conteúdo compartilhado por May às autoridades. O aplicativo então notificou May, que o apagou imediatamente. O aplicativo de mídia social prometeu anonimato, mas também compartilhou as postagens com a polícia.
May foi condenado a pagar US$ 58.500 em indenização. Ele deve se registrar como agressor sexual e não pode votar nem possuir armas de fogo por ser um criminoso condenado. Ele também deve cumprir 20 anos de liberdade condicional após ser libertado da prisão.
Antes de sua prisão, o deputado estadual, em seu terceiro mandato, acusava seus colegas republicanos de serem insuficientemente conservadores. "Nós, como legisladores, temos a obrigação de garantir que nossas crianças não sofram nenhum dano", disse May em janeiro de 2024, durante um debate na Câmara sobre o atendimento a menores transgêneros.
O pai, a irmã e vários outros parentes de May compareceram à audiência de sentença, e alguns se encolheram enquanto os promotores descreviam os vídeos de forma gráfica. Em seguida, disseram ao juiz que May era um filho, pai, irmão e sobrinho amoroso, e que jamais conseguiriam entender por que ele procurava crianças que sofriam abusos.
May só levantou o olhar quando sua irmã se virou para ele, algemada à mesa da defesa, e disse: "Eu te amo, RJ".
Sua cabeça então baixou mais.
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