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Ibovespa tomba 13% após circuit breaker com inesperada reeleição de Lula

Correção de mercado reflete culminância da eleição presidencial

Caroline Aragaki 26/10/2026
Ibovespa tomba 13% após circuit breaker com inesperada reeleição de Lula
Ibovespa tomba 13% após circuit breaker com inesperada reeleição de Lula - Foto: Depositphotos

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva rompeu com a expectativa do mercado financeiro de troca de governo e provocou uma correção acentuada nesta segunda-feira, 26. O Ibovespa fechou no menor nível de preço desde 31 de agosto, após ter presenciado o primeiro circuit breaker em seis anos pela manhã, quando tombou mais de 17% na mínima intradia.

Com o desenrolar do pregão, o índice se afastou das mínimas do dia e fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. O giro financeiro somou R$ 88,6 bilhões, bem acima da média diária de cerca de R$ 25 bilhões. As ações cíclicas, como Magazine Luiza (-58,23%), lideraram a ponta negativa, na esteira do avanço de 250 pontos-base das taxas de juros futuras. Já exportadoras, como Suzano (+10%), se beneficiaram da alta de 8% do dólar, a R$ 5,40.

Operadores destacam que a correção foi mais firme na primeira etapa do pregão por conta de um ajuste de preços. Agora, aguardam confirmações sobre a equipe econômica. Mais do que isso, aliás, é o quanto tais nomes poderão fazer em termos de ajuste fiscal.

A queda do Ibovespa nesta segunda é basicamente reflexo da quebra de expectativa, avalia o especialista em renda variável da AVIN, Heitor de Nicola. "Quando temos eleição com algo inédito e com quebra de expectativa desse tamanho, é natural que haja uma correção dessa projeção", afirma, notando que o mercado havia se embasado no resultado do primeiro turno - em que Flávio Bolsonaro (PL) liderou os votos - para montar posições de compra. "Nunca na história houve uma virada, sempre quem liderava o primeiro turno era eleito", aponta.

Com a queda desta segunda, o Ibovespa apagou os ganhos de outubro e passou a cair 5,22% no acumulado mensal. Em 2026, o índice reduziu a alta para 9,61%.

Para o analista da AGF, Pedro Galdi, "a gordura gerada no período do 'oba-oba' do trade eleitoral secou e novas quedas podem ainda se materializar nos próximos pregões, caso o governo não sinalize uma equipe de governo coerente e uma nova postura em relação a gastos públicos, metas de inflação, reformas e relacionamento internacional".

O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), aparece como principal nome para o Ministério da Fazenda, segundo apurou o Broadcast Político. O Estadão também cita o vice-presidente Geraldo Alckmin como possibilidade. Ambos são vistos como nomes com histórico positivo junto ao mercado e empresariado, mas as apurações não chegaram a fazer preço por enquanto.

Para o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, Fonteles é um excelente nome, pois "possui histórico muito positivo na secretaria da Fazenda do Piauí e no governo". O risco, contudo, seria ter boas ideias, mas "repetir Haddad no final de 2024, em que anúncios foram feitos, mas não foram entregues".

Outra fonte disse que Alckmin é visto como mais moderado e próximo do empresariado, também sendo um nome que pode agradar ao mercado.

Já o VXBR, versão brasileira do índice de volatilidade VIX, desabou mais de 38% nesta segunda-feira. Cruz avalia que "com o resultado da eleição, desaparece uma importante fonte de incerteza e o prêmio elevado embutido nas opções antes do evento é rapidamente retirado". Assim, indica que a volatilidade implícita esperada para o Ibovespa nos próximos 30 dias caiu.